Sempre acho MakingOff melhor q o programa! Kkk. Veja que legal o do Programa "É legal?" ! :))) Clica aqui que já tá publicado:http://bit.ly/1gCZMVK , Muito bom Programa É Legal? !!! Foi um prazer e a idéia dos bastidores foi ótima!
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Programa "É Legal?" - Eleições Digitais
Eleições em tempo de redes sociais é um tema quente. Veja esta entrevista para o Talk Show da Dra Patricia Peck, especialista em Direito Digital.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Kubrick, Selfie e Segunda Tela
Pode parecer um exagero da minha parte mas os dados estão aí pra mostrar que o fenômeno de comentar programas de TV nas redes sociais usando celulares é o toque de inovação com tons salvadores para audiências importantes da televisão. A Segunda Tela instala-se a uma velocidade de anos-luz. E para todas: abertas e fechadas. Ellen DeGeneres fez no Oscar de 2014 — como vimos — o que o macaco de Kubrick faz com o osso na cena inicial de 2001 — Uma Odisseia no Espaço. Criou um ponto de inflexão para a comunicação. O sinal estava dado. De osso à nave espacial no filme de 1968. De “selfie” à quebra definitiva da senha para a Social TV. Era o “osso” da Segunda Tela — pela projeção que teve — que faltava para acelerar no espaço cibernético uma mudança crucial e que coloca a nave da comunicação numa órbita muito além de formatos. Não inventa e nem resolve uma fórmula. Mas encaminha uma equação transformadora.
Com a foto “selfie” do Oscar e seus já mais de 3,4 milhões de RT’s (repetições do post) recordistas da história de Larry — o passarinho azul do Twitter — entramos definitivamente em um novo momento. Como no filme de Kubrick a caça descobre como ser o caçador. Ou quem sabe, descobre como se associar ao caçador. O que era ameaça pode ser a nova dimensão. E nada mais simbólico do que isso acontecer num momento “marqueteiro” (bem pensado!) de um dos programas de televisão de maior audiência e glamour no mundo com 43 milhões de espectadores. Não, não vou me atrever a compará-lo aqui com o monólito de Kubrick.
Mas é bom trazer o osso, a “selfie” e a Segunda Tela para exemplos mais práticos. Lendo hoje um report da BI Inteligence me chamaram atenção 2 pontos: canais de TV fazendo apps estimulando participações em Segunda Tela — para surfar tateando nessa onda — nao vão chegar muito longe. Esqueça. O que as pessoas querem olhar nas TV’s e colocar nas suas redes sociais via celulares, em tempo real, são suas conversas de boteco, bar e shopping, críticas e elogios. Suas opiniões, enfim, sem filtro, sem direção mas com participação. E isso nos leva para o mesmo ponto que já se sabe há algum tempo: as TV’s — como as conhecemos, e não apenas elas, mas os veículos de uma maneira geral — precisam tratar de ter conteúdos interessantes. É quase como ter ou não pecado original. Ou mortal! Afinal, sobre coisas interessantes todos querem falar.
Falar? Pessoas não querem apenas falar. Elas também não querem apenas ouvir. Elas querem multiplicar. E só o fazem se for algo pertinente a elas. Ou, pra além disso, pertinente mais a seus amigos do que a elas!
O único problema (?) é que as TV’s vão ter que estudar cada vez mais sobre o atitudinal digital de todos nós e, como nunca, do que vai pelas redes em tempo real. Mas melhor não esquecer que a vida como tal está aí mesmo…como sempre… E é preciso combinar o novo conhecimento com o que move a nossa rotina mentirosamente trivial. Como se vê, coisa “fácil” para fazer. As pessoas tem chamado pelo modesto nome de “Big Data”. Será algo como jogar xadrez com o HAL, o supercomputador de Kubrick? É só ficar atento à antena!
Anote: essa é uma grandes tendências do mundo digital desde que Tim Berners-Lee inventou a web e, como no Renascimento, ajudou a jogar sobre nós uma luz sem tamanho de conhecimento e comportamento. A conferir. Mas, como digo sempre a meus amigos, se quiserem me cobrar mais lá na frente sobre estas afirmações, cobrem apenas os princípios. Jamais coerência.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Velhas questões que sempre estão em novos debates: um mundo digital em Looping.
Já que hoje foi o Rizzo Social Media Day (kkk) resolvi escrever aqui algumas impressões sobre o que vi e ouvi no Proxxima, evento aqui em SP, do mercado digital: as ferramentas (entenda-se tecnologia em suas mais diversas "psicografias") se multiplicam na mesma velocidade das idéias mas inversamente proporcional à capacidade que o mercado (empresas, profissionais e agências) são capazes de implementa-las. A era da informação é também a era da execução e retorno de resultado muito mais esporádico do que se imagina (com honrosas exceções). Acreditam que ainda se ouve falar que a turma da TI precisa ser integrada ao Marketing? E que é preciso segmentar para ter melhor resultado? Que o modelo de mídia no Brasil é muito diferente do americano e europeu e isso dificulta novas idéias na área? Que o cliente vai procurar agências que lhes mostrem o impacto da comunicação nos seus negócios?
Todas essas questões eram ou não temas de 8 anos atrás? Confesso que me assusto um pouco com a capacidade do mercado de entrar num looping míope - algumas vezes delirante. Incrível que se valem de respirar ar fresco com algumas idéias diferentes que ali ou aqui aparecem e são incensadas e usados como regra quando na verdade são exceções. E assim o vento fresco parece que vale para todos e tudo. Não é verdade.
Eu gosto de trocar idéias nesses eventos mas sempre saio com a sensação que devíamos aproximar mais a teoria das práticas. Claro, a visão de futuro é essencial. Mas me agonia quando ela passa muito longe do percentual aspiracional desejável. Outro dia ouvi de um cliente uma frase muito interessante. Eu perguntava sobre cases e ele me disse que não se interessava por cases porque em geral eram protótipos que beneficiavam poucos e, quase sempre, não eram escaláveis a ponto de alcançar uma massa importante de pessoas. Gosto dessa idéia. Nós, do ambiente digital, não podemos ser apenas antenas da raça capturando tendências e atuando como agentes transformadores com novas e diferentes idéias em volta da nossa fogueira (algumas compartilhadas mas muitas de pura vaidade). É preciso, paralelamente, arregaçar as mangas.
Todas essas questões eram ou não temas de 8 anos atrás? Confesso que me assusto um pouco com a capacidade do mercado de entrar num looping míope - algumas vezes delirante. Incrível que se valem de respirar ar fresco com algumas idéias diferentes que ali ou aqui aparecem e são incensadas e usados como regra quando na verdade são exceções. E assim o vento fresco parece que vale para todos e tudo. Não é verdade.
Eu gosto de trocar idéias nesses eventos mas sempre saio com a sensação que devíamos aproximar mais a teoria das práticas. Claro, a visão de futuro é essencial. Mas me agonia quando ela passa muito longe do percentual aspiracional desejável. Outro dia ouvi de um cliente uma frase muito interessante. Eu perguntava sobre cases e ele me disse que não se interessava por cases porque em geral eram protótipos que beneficiavam poucos e, quase sempre, não eram escaláveis a ponto de alcançar uma massa importante de pessoas. Gosto dessa idéia. Nós, do ambiente digital, não podemos ser apenas antenas da raça capturando tendências e atuando como agentes transformadores com novas e diferentes idéias em volta da nossa fogueira (algumas compartilhadas mas muitas de pura vaidade). É preciso, paralelamente, arregaçar as mangas.
domingo, 28 de abril de 2013
Seedorf e OdeO: os caras que pedimos a Deus
A sequência de bom futebol que o Botafogo está fazendo não tem sido ainda suficiente para a torcida gloriosa se afastar de sua reconhecida (eu fora!) desconfiança sobre o futuro do time. E, menos ainda, não fez a torcida reconhecer que Oswaldo de Oliveira é um técnico de nível internacional. É só analisar o que se vê hoje em campo e o que se via há 2 meses. No momento em que teve elenco e, mais do que isso, tempo à disposição, Oswaldo devolveu para a arquibancada o #ForaOswaldo. Vejam abaixo a minha lista de argumentos:
Mas... se você ainda acha que deve manter o #ForaOswaldo... eu te dou um bom motivo: ele não mexeu nem um pouco na qualidade do Jefferson... Taí... fracassou... o cara continua pegando tudo sem ajuda do OdeO ;;)))
#FicaOswaldo ! A gente já ganhou a Taça Guanabara e tá com o titulo do Carioca nas mãos. E jogando sorrindo :))
Botafogo é isso aí!! ;))
- Coisa de Deus: Pegou o maior craque do time - e do país - e colocou em um lugar especial dentro do esquema: joga perto dos atacantes e da área. Ali pode usar todo seu incrível repertório técnico para assistências e participa com mais fôlego da correria que o time impõe no ataque. O resultado é que Seedorf tem tido uma de suas melhores médias de gols na carreira. Lembremos que ele é originalmente um volante. OdeO é o técnico que, aos 37 anos, Clarence pediu a Deus. Nós também. Seedorf é o craque que o OdeO pediu a Deus. Nós também.
- Correria dos nanicos: A estrutura de ataque do Botafogo (não por coincidência, a mais efetiva do campeonato carioca) joga numa correria bem articulada tendo como dois eixos o Lodeiro e o Fellype Gabriel. Estes dois dão suporte ao posicionamento do Seedorf, suprem a oscilação técnica de Bruno Mendes e Rafael Marques e, vejam... fazem gols. Muitos e decisivos gols. Muitos de cabeça... apesar de nanicos. Inclua aí o Lucas e o Julio Cesar.
- Ferrolho: A defesa era um problema? Era. Por dois motivos. Um técnico: especialmente o Fábio Ferreira. E outro era a falta mesmo do Marcelo Mattos, um cara que protege a defesa como ninguém. OdeO corrigiu subindo o Dória (sim, o mérito é dele) praticamente da divisão infantil, aos 17 anos, e apostando numa dupla com o então desacreditado Bolívar.
- Multiplataforma: No meio a gente nunca sabe quem está por ali porque a correria lá da frente também acontece no meio com a efetivação (outro trunfo menino que o OdeO pode ostentar) do Gabriel, o multiplataforma Fellype Gabriel e a onipresença do Seedorf que sempre "garrincha" por ali.
- Falso negativo: Sobre o ataque acho que OdeO já começou a se redimir pois não podemos colocar no acaso os gols do Rafael Marques. Eles apareceram. Ele não é o cara dos nossos sonhos mas o goleador que a gente espera um dia ainda não está fazendo toda essa falta. Mesmo na época do Elkeson, já tinhamos a ponta da artilharia. Como hoje. É um falso negativo.
- Nos cascos: Finalmente temos banco de sobra. Afinal, Renato, Vitinho, Cidinho, Andrezinho, Antonio Carlos e Jadson são caras que já se provaram no time titular. Com sobras. E nem falo dos outros meninos.
Mas... se você ainda acha que deve manter o #ForaOswaldo... eu te dou um bom motivo: ele não mexeu nem um pouco na qualidade do Jefferson... Taí... fracassou... o cara continua pegando tudo sem ajuda do OdeO ;;)))
#FicaOswaldo ! A gente já ganhou a Taça Guanabara e tá com o titulo do Carioca nas mãos. E jogando sorrindo :))
Botafogo é isso aí!! ;))
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Crise em Redes Sociais na pauta!
Hoje participo do Congresso Mega Brasil de Comunicação. Tema é Crise em Redes Sociais.
Mais detalhes, aqui: http://jornalistamasini.wordpress.com/2013/04/01/congresso-mega-brasil-2013-crise-em-redes-sociais/
domingo, 17 de fevereiro de 2013
A Rede de Marina Silva
Marina Silva (@silva_marina) acaba de lançar seu partido. E que chama de Rede. Nascido das próprias buscas políticas de @silva_marina, a (ou será “o”?) Rede surge com uma característica que também tem marcado a militância em torno dela: o uso de redes sociais. Tanto é que entre os 11 pontos apresentado em seu estatuto, o novo partido cita o ambiente digital em dois: no 7 (transparência total online dos gastos durante a campanha eleitoral) e no 8 (utilização de redes sociais para a dinâmica partidária).
E, claro, como já se sabe e muito se comentou, o próprio nome “Rede” traz em si uma contribuição para o que Marina Silva imagina em termos de dinâmica partidária. É um bom pensamento. Até porque aqui também ela tem história. Em outubro de 2010, durante a campanha presidencial que elegeu Dilma Rousseff, foi dela o maior movimento ocorrido nas redes sociais – especialmente no Twitter, rede então muito mais forte do que o Facebook . E isso certamente ajudou bastante na existência do 2o turno, no momento em que o PT esperava que tudo se decidisse ainda no 1o. A ‘onda verde” de Marina, no Twitter, foi uma autêntica Tsunami (veja artigo que escrevi na época): http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/05/a-tsunami-digital-do-1-turno-330030.asp
Lembrando: os Tweets (posts do Twitter que citavam @silva_marina) foram “exibidos” 79.369.950 de vezes no microblog no curto período de 3 dias. Essa audiência foi criada por 6,7 milhões de pessoas através de uma frenética postagem de 150 mil mensagens escritas, originalmente, por 74 mil usuários com perfis ali registrados.
Foi um Outubro Verde. Para se ter uma ideia, os dois candidatos com forte apoio de comunicação ficaram para trás ali: José Serra chegou a 40 milhões e Dilma Rousseff com pouco mais de 52 milhões. Também foi expressivo, mas um olhar qualitativo sobre a “onda verde’ de Marina mostrava um aspecto que era muito menor nas outras duas campanhas e que deve ser uma grande motivador – e um alerta – para o novo partido que nasce sob essa “insígnia digital”: PSDB e PT travaram uma batalha de militantes estruturada com pouca participação efetiva do cidadão. Este, à falta de um debate mais qualificado que o envolvesse, se deixou levar pelo “3o caminho”: o de Marina Silva e seus posicionamentos mais afeitos ao engajamento: sustentabilidade, por exemplo. Na época também publicamos, pela FSB Digital, um estudo sobre isso:http://www.slideshare.net/fsbcomunicacoes/fsbcomunicacoeseleicoes-digital2010final
O cidadão conectado é exponencialmente mais hostil do que o consumidor 2.0 (que já é uma fera…). Não se poderia esperar diferente com a história política do país. Trata-se de um cara quase amargurado. Mais: descrente e irônico. Ele nunca cede a uma campanha digital de engajamento de governos (de qualquer esfera) mais do que um desconfiado voto de confiança. Um só a cada vez. Mínimo. As campanhas eleitorais realizadas até agora não ajudaram muito na “politização” desse cidadão conectado. Em quase todas (com poucas exceções), desde a explosão das redes sociais, o que tivemos foi muito debate entre a militância política e pouco engajamento real do cidadão. A caravana política tem passado pelo mundo digital como passam os comícios pelas praças públicas. No formato, no discurso, nas “pegadinhas”. E, claro, desse jeito, nunca vai tirar daqui o máximo que se pode ter. O resultado? Quando muito, um ativismo de sofá (em geral, desqualificado de engajamento). Quando muitíssimo: um protesto, um sinal, como a “onda verde” de Marina Silva em 2010. Um ponto fora da curva.
O novo partido, caso queria efetivamente usar o potencial de engajamento da rede, não terá vida fácil. Mas fiquei feliz que se proponha a esse desafio. Já estava na hora de aparecer algo assim. E eu diria que a primeira e mais importante fronteira a enfrentar é exatamente parar de falar para os próprios perfis (umbigo). Pregar no deserto digital quando muito… dá eco. Engajamento e interesse? Esqueça. Terá que pensar em um volume consistente de conteúdo e com a cara do que a rede (a de todos nós, não a de Marina Silva) gosta: formato é tão crucial quanto a mensagem. Relevância é rainha e conteúdo é rei.
A política brasileira ainda não entendeu a dimensão comportamental do cidadão conectado. Em grande parte porque esse é mesmo um entendimento difícil para todos os setores (as marcas B2C estão aí com seus cases para nos mostrar isso). Mas, por outro lado, porque ainda continua a olhar para as redes como se fossem um palanque político do interior.
Tomara que a turma da Rede mude essa trajetória. Marina foi a figura política que mais mostrou carisma para isso. Mas é também preciso estratégia e técnica. Não se pode fazer porque é mais barato (até porque não é…). Vou torcer para que tenha. Para mim é menos uma questão política. Não se pode ignorar que o Brasil é o país onde as pessoas possuem , na maior rede do mundo – o Facebook – a maior média de amigos (483, segundo a Go-Globe.com, contra 130 dos EUA, segundo colocado. É muito!). Somos intensamente sociais e gostamos de compartilhar nossas ideias. Isso é bom para a política e para o cidadão. Marina tem como principal pilar o tema sustentabilidade, muito bem aceito em campanhas digitais. E traz consigo o sucesso de 2010… Enfim, a conferir, certamente. Seria bom para todos que desse certo. Mas precisará sair do discurso.
Artigo originalmente publicado no Portal IDGNow:
http://idgnow.uol.com.br/blog/plural/2013/02/17/silva_marina-em-busca-da-rede-perdida/
domingo, 1 de julho de 2012
#seedorfnofogao: torcida alvinegra mostra estilo
Números também mostram paixão. Ontem o Botafogo anunciou a
contratação do craque Clarence Seedorf e nós, apaixonados alvinegros,
respondemos com alegria nas redes sociais.
Fui olhar hoje em algumas ferramentas que usamos para
clientes e vou dar aqui uma degustação da felicidade alvinegra com a chegada do
craque à Estrela Solitária. O mapeamento completo eu mostro no dia da
apresentação de Seedorf à torcida. Prometo!
Analisando apenas os recentes 1.500 tweets postados no
microblog - e que usaram a hashtag #seedorfnofogao
- tivemos 2,7 milhões de exposição com
alcance (perfis únicos de usuários) de 2,3 milhões. @lapena foi o botafoguense
com maior exposição. @botafogonews teve o post mais retuitado e mais
mencionado. A
apresentadora da Globo, Carla Vilhena ( @carlavilhenaa) também gerou muita
exposição ao tema. Interessante é que hoje, domingo, o perfil @fogoeterno que
não tem tantos seguidores (1.107) é o mais retuitado do dia (até agora)
mostrando que inteligência pode gerar relevância e engajamento (ele relacionou a chegada de Seedorf
com o prêmio que o Rio recebeu hoje):
@fogoeterno:
Contratação de Seedorf faz Rio de Janeiro receber título de Patrimônio Cultural
da Humanidade. #seedorfnofogão
O exemplo do @fogoeterno é bom para mostrar que nem sempre
quantidade (número de seguidores, por exemplo) é qualidade. E é uma boa
analogia para a torcida da Estrela Solitária mais conhecida pela qualidade das suas reflexões do que pelo número presente no Engenhão.
Lembrando que a hashtag ficou nos Trending Topics do Twitter
por várias horas tanto ontem quanto hoje.
Naturalmente houve também muitos perfis de torcidas adversárias que foram mais na linha do deboche e que - agradecemos - fizeram o tema viajar nas redes. Mas, nenhuma delas conseguiu ter a expressão dos perfis de torcedores do Fogão!
Aguardem a análise completa e verão como a nossa “van” é
maior do que se pensa no mundo virtual e mantem a qualidade do mundo real: é qualitativa!
;)
domingo, 20 de maio de 2012
Olympia – aos pés de seus 100 anos
Não seria certo lembrar do histórico Cinema Olympia sem antes passar pelas minhas mais incríveis memórias de adoradora de cinema criada nas raízes do “Bandeirantes”, o cineminha caseiro de Pedro Veriano e que era um verdadeiro cine-clube. Ainda estava catando pedaços para me entender no final da primeira infância e lá vinham aquelas férias em Belém, numa linda casa com um jardim gigante com dois chafarizes deslumbrantes, um monte de quartos, 3 andares, uma piscina e... o Bandeirantes. Foi onde vi e revi tantos filmes de Carlitos e aprendi a me ajoelhar para o fervor de Pedro Veriano e da família pela “Felicidade Não se Compra”, de Frank Capra.
Daí em diante caí numa maravilhosa armadilha cinematográfica para – graças a Deus – nunca mais sair. Foi – junto com a poesia descoberta com os amigos de jornalismo – o que delineou minha busca pela integridade intelectual, tantas decisões profissionais, tantas buscas por ser uma pessoa melhor (ainda em vigência frenética! ;-). Tantos Fellini, Bergman, Scorsese, Trauffaut, Hitchcock, Chaplin, não atravessam sua vida sem deixá-la melhor. Foi o Bandeirantes e a Família Miranda e Veriano, que determinaram isso. E daí em diante foi muito natural que o Olympia passasse a ser um lugar indispensável onde cruzei a vida a partir da minha adolescência - em Belém - aprendendo vida com os filmes que ali passavam.
Daí em diante caí numa maravilhosa armadilha cinematográfica para – graças a Deus – nunca mais sair. Foi – junto com a poesia descoberta com os amigos de jornalismo – o que delineou minha busca pela integridade intelectual, tantas decisões profissionais, tantas buscas por ser uma pessoa melhor (ainda em vigência frenética! ;-). Tantos Fellini, Bergman, Scorsese, Trauffaut, Hitchcock, Chaplin, não atravessam sua vida sem deixá-la melhor. Foi o Bandeirantes e a Família Miranda e Veriano, que determinaram isso. E daí em diante foi muito natural que o Olympia passasse a ser um lugar indispensável onde cruzei a vida a partir da minha adolescência - em Belém - aprendendo vida com os filmes que ali passavam.
Mas talvez a maior aproximação que tive com o Olympia - que agora faz gloriosos 100 anos - foi quando tive um arroubo (diga-se, com cúmplices queridos da TV Cultura do Pará, de Pedro Veriano e de Luzia Miranda Álvares): fazer um vídeo documentário sobre o cinema, sua história e, vejam só, não apenas da trajetória da sala de projeção. Algo mais que mostrasse o quanto de comportamento da cidade tinha passado por ali, especialmente no início do século.
Foi um arroubo porque eu tinha muito pouca experiência em vídeo, começava minha carreira na televisão (TV Cultura do Pará). Era um impulso ensandecido muito mais com aqueles anos todos de teoria de cinema - que vinham lá do Bandeirantes e dos enormes livros que Luzia Miranda me alimentava todo mês -, do que propriamente de algum talento já comprovado para a profissão. Mas ser abusada sempre foi uma característica minha. E lá fui eu com um roteiro na mão, cinegrafistas do lado, atores, um monte de histórias pesquisadas e... tantos cúmplices!.
Qualquer olhar crítico sabe que vídeo é hoje a prova da minha inexperiência com o formato. E também a prova de que o amor pelo cinema pode perdoar tanta ousadia para transformá-lo em uma pequena peça do registro histórico de um lugar tão especial para o cinema no Pará e, claro, no Brasil. Isto me deixa feliz. Mas, feliz mesmo fico porque as pessoas podem entender o que eu entendi quando pesquisei para fazer o roteiro do vídeo documentário: o Olympia era um retrato completo, pronto e maravilhoso do auge da sociedade paraense do século passado. Um mini universo completo sobre o ecossitema não apenas cultural mas também social. Sua programação , suas cadeiras invertidas, o tipo de freqüentador que ali ia, os encontros que se davam em seus salões, tudo é história paraense legítima. Vai além do cinema, além de nós. É história pura de como fomos no século passado. Fico feliz que minha ousadia juvenil seja hoje um recorte histórico – que sempre olho com muito rigor crítico no formato usado – do Olympia. Ele também é parte da minha vida, treinou meus olhos para tantos outros projetos. Inclusive, a maioria, que extrapolaram o cinema.
Afinal, veio do cinema tanto aprendizado que tive e tenho, tanta vontade de conhecer o mundo, de tentar ser um pouquinho aqueles gênios que desfilaram por ali – na tela ou na sua platéia. Tanto que tenho a ousadia de pensar hoje que efetivamente consegui ser uma pessoa um pouco melhor por ter vivido aqueles divertidos dias do Olympia.
Olympia, 100 ano! Vida Longa ao Olympia!
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Singularity University: conheça as pessoas que constroem nosso futuro
(Matéria original publicada no jornal The Guardian - Link: http://www.guardian.co.uk/technology/2012/apr/29/singularity-university-technology-future-thinkers )
Pegue os principais
pensadores do Vale do Silício e da ciência, misture com cientistas, inovadores
e capitalistas filantropos, e você terá a Singularity University – com a missão
de buscar soluções tecnológicas para os grandes desafios do mundo.
Astronauta Peter Diamandis,
cofundador da Singularity University. Foto: Andrew Brusso/ Andrew Brusso/Corbis
É o primeiro dia na Singularity University: o discurso
de abertura acabou de ser dado por um holograma. Craig Venter, um
dos primeiros cientistas a sequenciar o genoma
humano e criador da primeira forma de vida sintética, vem
em seguida. Mais tarde, veremos duas pessoas, paralisadas da cintura para
baixo, usar exoesqueletos robóticos para se levantar e andar.
No entanto, primeiro Peter Diamandis,
cofundador da Singularity University, dará nossas instruções para o dia. Sua
tarefa, diz, é escolher um dos “grandes desafios da humanidade” – a falta de
água limpa para beber, por exemplo, e elaborar uma ideia que “possa afetar
positivamente a vida de um bilhão de pessoas.”
São 9h30. Alguns de nós nem tomaram café. Há
cerca de 50 pessoas presentes e a sala foi dividida em mesas, uma para
educação, outra para pobreza, mais uma para água, e não sei onde devo me
sentar. Diane Murphy, executiva de RP da universidade, hesita por um momento e,
então, conduz-me para a mesa marcada "comida". “Olha só”, diz. “Por
que você não pega a cadeira do Ashton Kutcher? Ele só vai chegar mais tarde” (quando
ele chega, pega uma cadeira na outra mesa. O que posso dizer? Se Ashton Kutcher
não conseguir solucionar a fome no mundo, será minha culpa).
A Singularity University não é muito como uma
universidade normal, e não porque é um lugar que consegue acomodar tanto quanto
Kutcher (e onde, durante uma sessão de perguntas e respostas, alguém questiona
sobre levar a Singularity University para o gueto – esse alguém é o músico will.i.am).
Seus cursos não são credenciados e ela não
tem graduandos. A Universidade Stanford pode ter sido o berço de centenas de startups do Vale do Silício e o
epicentro de algumas de suas maiores inovações técnicas, mas a Singularity
University é uma instituição feita à própria imagem do vale: com uma ampla
rede, movimentada por um coquetel de capitalismo filantrópico e com uma noção
quase mística de seu próprio destino.
É o grupo de pensadores de elite do futuro do
Vale do Silício e seu braço de alcance global: Google e Microsoft vieram para a
conferência de fundação e deram dinheiro, a Nasa forneceu espaço no campus e no
website há uma citação de Larry Page, cofundador do Google: "Se eu fosse
estudante”, diz, “é aqui que gostaria de estar”. Seu objetivo é “formar, educar
e inspirar uma nova geração de líderes que lutam para entender e utilizar
tecnologias cada vez mais avançadas para enfrentar os grandes desafios da
humanidade.”
Portanto, não há pressão alguma, embora,
claro, a coisa mais fácil a fazer seria ignorar isso. Ashton Kutcher! (Mais
tarde, leio que ele foi chamado para o papel de Steve Jobs em um filme e tenho
uma leve suspeita de que ache que realmente seja Steve Jobs). Um bilhão de
pessoas! É o tipo de coisa em que imaginamos alguém de jaleco branco escrevendo
como evidências pouco antes de decidir nos internar. Além disso, Diamandis é o
tipo de empreendedor otimista que, como uma nação, estamos inclinados a ridicularizar
e evitar (é amigo de Richard Branson).
O único problema com isso como estratégia é
que metade das pessoas na sala realmente fez coisas que tiveram impacto
positivo sobre um bilhão de pessoas – ou, em alguns casos, até mais. Não apenas
Venter, que veio em seu jato particular; há também Vint Cerf, considerado
um dos pais da internet – trabalhou na Arpanet, antecessora
da Internet – e agora é o "principal pregador da Internet" no Google.
E Sebastian Thrun, o homem
por trás de uma das tecnologias mais recentes e potencialmente mais
perturbadoras do Google, o carro que dirige sem motorista. Também é chefe do
supersecreto laboratório X do Google, parte da empresa que a maioria dos
funcionários nem sabia que existia até o New York Times fazer uma matéria sobre ela em novembro.
Também há Elon Musk, cofundador
do PayPal e da Tesla Motors, que criou o primeiro carro elétrico do mundo e está trabalhando em um
substituto para o ônibus espacial. Na plateia estão Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, e Troy
Carter, estrategista de Lady Gaga. Mais tarde, Buzz Aldrin aparece. Aqui, ele é uma verdadeira celebridade. Todos
os cientistas querem tirar fotos com ele, e até Kutcher parece um pouco
acanhado. "O que acha da Singularity University?" pergunto a Aldrin.
"Sou bastante exigente comigo mesmo”, afirma, “mas venho aqui e penso
‘Deus, tenho de fazer melhor’.”
Cheio de estrelas
Apesar das poucas conquistas de Aldrin – o
segundo homem a pisar na Lua, 66 missões durante a Guerra da Coreia, dueto com
o rapper Snoop Dogg – ele tem razão. A proposta da Singularity University e sua
ideologia fundamental se baseiam em fazer melhor. Sua crença no progresso é tão
tecnológica que, às vezes, tem um quê retrofuturista dos anos 50, de carros
voadores e mochilas com foguetes.
Até o nome – que, em português, significa
Universidade da Singularidade – soa como algo saído de um livro de ficção
científica, principalmente porque saiu de um livro de ficção
científica. "The Singularity" é um termo que seu cofundador, o
escritor e futurista Ray Kurzweil, apropriou de um ensaio
do escritor de ficção científica Vernor Vinge, e, embora as definições variem,
normalmente significa o ponto no qual a inteligência dos computadores
ultrapassa a humana. De acordo com as previsões de Kurzweil, e ele tem certo
embasamento nisso, isso acontecerá em 2029.
Kurzweil é genuinamente único. É cientista,
inventor – desenvolveu um dos primeiros sistemas de reconhecimento de fala –,
autor e trans-humanista: acredita que, se conseguir viver por tempo suficiente
para a tecnologia ser inventada, poderá viver para sempre. No entanto, é mais
conhecido por ser um futurista. Previu a queda da União Soviética, o
crescimento da Internet, o ano no qual os computadores derrotariam os melhores
enxadristas humanos do mundo, o leitor eletrônico, a educação online, e muito
mais. De acordo com suas contas, 89 das 108 previsões que fez em 1999 sobre
onde o mundo estaria em 2009 estavam corretas, e outras 13 estavam
“essencialmente corretas.”
No coração de todas as previsões de Kurzweil
está a lei de Moore,
a regra pela qual o poder da computação dobra a cada dois
anos, observada pela primeira vez por Gordon Moore, que cofundou a Intel, em 1965
e previu que a tendência continuaria “por pelo menos 10 anos”. Na verdade,
continuou pelas cinco décadas seguintes e não deve acabar tão cedo. O poder da
computação mostra um crescimento exponencial: um se torna dois, que vira
quatro, que se transforma em oito e, quando colocado em um gráfico, parece um
foguete decolando.
Obviamente, uma coisa é observar isso em
semicondutores e outra é aplicar em todas as outras áreas da vida humana. Mas
se fazemos um gráfico da trajetória de carreira, plano de negócios e riqueza
pessoal de um número considerável de pessoas na sala, haveria muitas linhas em
forma de foguete, porque a lei de Moore parece descrever muito do que aconteceu
no Vale do Silício. Portanto, não é muito surpreendente que alguns de seus
moradores mais ricos e bem-sucedidos tenham adotado a ética e o espírito da Singularity
University.
Vint Cerf me diz que foi o entusiasmo de Larry
Page e seu apoio ao projeto que o estimularam a se envolver “e depois vim e
descobri que havia essas pessoas incrivelmente inteligentes aqui, discursando e
na plateia. Para mim, vir aqui é como caminhar por uma floresta de ideias."
O programa-padrão da Singularity University é
um curso de graduação de 10 semanas que custa US$ 25 mil (£15,500) e, no ano
passado, contou 2.400 pessoas se inscrevendo para 80 vagas. É a versão de um
MBA do Vale do Silício. A demanda é tanta que ela também começou a fazer
minicursos "executivos", do tipo que frequento. “Empresas bilionárias
estão surgindo da noite para o dia”, afirma Peter Diamandis. "E empresas
bilionárias estão fechando da noite para o dia”. Ou, como Mike Federle, principal
executivo de operações da Forbes me diz: "CEOs estão desesperados
para saber essas coisas. todos estão tentando descobrir o que vem pela frente."
Além disso, em vez de ser realizado no campus
da Singularity University no centro de pesquisa Ames da Nasa, no norte da
Califórnia, estamos no coração da máquina de sonhos de Hollywood, nos Estúdios da Fox em Los Angeles.
Jim Gianopulos, chairman da Fox
Filmed Entertainment, fez um curso na Singularity University e, desde então,
vem pregando sobre ela. Dada a antipatia tradicional entre Hollywood e o Vale
do Silício (copyright intelectual versus uma grande copiadora), este parece ser
um marco. As ideias estão se espalhando para a cultura de massa: o livro de Peter
Diamandis – Abundance: The Future is Better Than You Think [“Abundância:
O Futuro é Melhor do que Você Pensa”] – foi direto para a segunda posição na
lista de best-sellers do New York Times no mês passado e continua
entre os 30 primeiros.
"O poder dos computadores por dólar
aumentou trilhões de vezes desde que eu era universitário”, diz Kurzweil em seu
discurso de abertura, falando como uma cabeça holográfica em 3D da sala de sua
casa, em Boston. "Guerra, depressão, nada disso causa impacto. Ele
continua crescendo exponencialmente”. A saúde fazia progresso linear, mas “se
tornou uma tecnologia exponencial”, e com a impressão em 3D, o mesmo ocorrerá
com “o mundo das coisas físicas”.
Nosso problema com ponderar o futuro é que
nossa expectativa é "linear, não exponencial", afirma. As coisas não
vão mudar incrementalmente, e sim explosivamente. Foi isso o que chamou a
atenção de Peter Diamandis – ele leu o livro A Singularidade Está Próxima, de Kurzweil, durante uma
trilha no Chile – e o inspirou para montar a universidade
Ao final da primeira sessão de discussões,
ele nos diz para "fazer uma convenção" e pensar em algumas soluções
para nosso “grande desafio”. E então, Deus meu, “um de vocês irá falar sobre
seus achados para o restante da classe."
Estamos em sete na mesa, e a ideia é a de
que, entre nós, devemos dar uma solução – ou, sejamos ambiciosos – soluções –
para alimentar os sete bilhões de habitantes do mundo. O que Ashton diria? Minha
hipótese é a de que será um pouco como quando o senhor Gould, meu professor de
matemática da quarta série, tentava uma técnica semelhante nos anos 80 e
ficávamos sentados lendo a revista Smash Hits até ele escrever a
resposta na lousa.
Só que não, o grupo em minha mesa começa
desavergonhadamente a jogar ideias reais: é possivelmente por isso que
bilionários são bilionários e CEOs são CEOs. Eles realmente arregaçam as
mangas. “E quanto a carne artificial?” sugere Mike Federle, o que, em outro
grupo, poderia parecer um devaneio, mas aqui é mais uma observação factual.
"Poderíamos fazer um bife agora”, diz Robert Hariri, um médico que fundou
uma empresa de biotecnologia especializada em tratamentos pioneiros com
células-tronco. "Só que vai custar US$ 20 mil". Fico de boca fechada
e troco um sorriso “nem todos podemos ser gênios” com um latino simpático do
outro lado da mesa. "Ricardo Salinas", diz o crachá. O segundo homem
mais rico do México (e o 37º mais rico do mundo), descubro depois.
Há uma vantagem deliberadamente competitiva
nos procedimentos. Ela está de acordo com os pontos fortes dos CEOs e é um dos
princípios orientadores de Peter Diamandis. Ele aprendia a voar quando alguém
lhe deu um livro sobre o voo destruidor de recordes de Charles Lindbergh sobre
o atlântico e descobriu que foi uma viagem incentivada por um prêmio.
Esta teoria o levou a criar o Prêmio X, que começou como um
incentivo de US$ 10 milhões para a primeira pessoa ou empresa a criar uma
espaçonave tripulada particular reutilizável (Burt Rutan e Paul Allen, cofundador
da Microsoft, venceram em 2004 por sua SpaceShipOne). O Prêmio X lançou muito mais, o mais recente sendo
o prêmio Tricorder Qualcomm
de US$ 10 milhões para inventar um dispositivo móvel – ou "tricorder”,
como era chamado em Star Trek – capaz de diagnosticar 15 doenças.
Abundância de ideias
Há muita coisa para absorver. Não estamos nem
perto do almoço e já vimos apresentações de Craig Venter sobre seus planos de
criar biocombustíveis fabricados por microalgas: um acre, acredita, poderá
produzir 10 mil litros de óleo por ano, diferentemente do milho, que pode
produzir apenas 18. Ele acabou de receber um investimento de US$ 300 milhões da
Exxon para transformar isso em realidade.
Andrew Hessel, um dos professores de
Biotecnologia da Singularity University que está tentando abrir os tratamentos
de câncer, fala sobre como a biologia é a próxima tecnologia
exponencial. O código genético se tornará “uma linguagem de programação”.
Estamos à beira de uma mudança maciça. O acesso biológico ilegal do tipo “faça
você mesmo” já começou. “Os vírus estão vindo primeiro”, diz. “São os mais
fáceis de fazer”. Também há Vint Cerf sobre a "internet das
coisas". No futuro próximo, dispositivos conversarão entre si, afirma.
"Você está fazendo compras e recebe uma chamada. É a geladeira dizendo
‘Não se esqueça do molho marinara’."
Ele encerra seu discurso com seu sonho de uma
Internet interplanetária. “A Darpa [agência de projetos de pesquisa avançada do
departamento de Defesa dos EUA] conta com uma bolsa para desenvolver um veículo
espacial que chegará a uma estrela em 100 anos. Nas taxas de propulsão atuais,
isso levaria 65 mil anos, então precisaríamos de uma espaçonave com combustível
nuclear que possa viajar a dois terços da velocidade da luz. Só que também
temos que trabalhar a comunicação”. Parece levemente arrependido. "E ainda
não fizemos nada em escala intergaláctica."
Neste contexto, não parece tão absurdo quanto
deveria quando alguém sugere usar impressoras 3D (máquinas que montam objetos
camada por camada a partir de um arquivo digital) para imprimir impressoras 3D,
que, então, poderão imprimir um par de sapatos. Ou uma casa. Ou o jantar. “Na
verdade, isso já está acontecendo”, outra pessoa destaca. No entanto, impressoras 3D – e um protótipo de casa feita ao extrair concreto
líquido de uma “impressora” gigante já foi construído – são apenas uma das
Próximas Grandes Coisas que vêm por aí. Aprendemos sobre dezenas delas nos dois
dias seguintes. Esta é a “abundância”: a tese de Diamandis de que logo
entraremos em um mundo “pós-escassez”. Esqueça o pico do petróleo. Quem precisa
dele quando temos "15 terawatts de potência do sol chegando à Terra a cada
15 minutos"? O desafio é simplesmente coletar isso. “E estamos cada vez
melhores nisso."
Não é que isso vá mudar nosso próprio
comportamento insustentável, observam seus críticos; é que, como Craig Venter afirma,
essa tecnologia também é bastante difícil e, às vezes, não se sai tão bem
quanto o esperado. Quando ele se levanta para falar, seu microfone não
funciona. “E deveríamos estar imprimindo novas formas de vida”, diz.
Às vezes, Diamandis dá a impressão de ser,
bem, o palestrante motivacional que é. Tem uma frase em aforismos que soam como
se tivessem saído de um gerador automático de terapeuta motivador (“A melhor
forma de prever o futuro é criá-lo”, “Se você não pode ganhar, mude as regras”,
“A besteira caminha, o hardware fala"), embora tenha o dom também de
encapsular uma ideia. Uma de suas citações mais conhecidas é a de que um guerreiro
da tribo Masai com um celular tem melhor capacidade de telecomunicação do que o
presidente dos EUA tinha há 25 anos. “E se ele tiver um smartphone com Google, tem
acesso a mais informações do que o presidente tinha apenas 15 anos atrás."
Ele pode ser um tanto showman, mas tem conteúdo. Algumas das pessoas mais brilhantes e
bem-sucedidas do mundo o levam a sério. Na terça-feira passada, para dar só um
exemplo, lançou uma empresa – respaldada por, entre outros, Larry Page, cofundador
do Google, e Eric Schmidt, seu chairman
– para utilizar espaçonaves para minar asteroides na busca de minerais raros.
E ele tem o pendor do amigo Richard Branson
para o marketing. O segundo dos nossos três dias de curso termina com uma festa
no cenário de uma rua de Nova York nos estúdios da Fox. Dois paraplégicos se
levantam da cadeira de rodas para andar pelo palco em exoesqueletos robóticos e
will.i.am dá suas impressões sobre o dia: "Mudou toda a minha perspectiva
de vida, mas estou preocupado com nossas cidades do interior. Acabei de ouvir
que minha sobrinha vai ser mais burra que seu celular. Tivemos uma geração que
queria melhorar o saldo do banco, não o cérebro. Quero inspirar os jovens a ser
cientistas e engenheiros."
Há uma bela circularidade nisso. Peter
Diamandis foi criado no Brooklyn, filho de imigrantes gregos, e sua inspiração
para se tornar cientista foi a missão do Apollo, tirando diplomas em Medicina e
Biologia Molecular e, finalmente, um PhD em Engenharia Aeroespacial no MIT. A Singularity
University nem é a primeira universidade que fundou – ele montou a International Space University aos
20 e poucos anos, e ela já treinou uma geração inteira de cientistas da Nasa. É
por isso que Buzz Aldrin veio e por que outro astronauta, Dan Barry, é professor no curso de Robótica da SU (a grande
previsão de Barry: ciberconsolo. Sexo com robôs. "Você acha engraçado,
certo? Só que também sou médico especializado em reabilitação, e sexo é um
impulso humano básico que os robôs conseguirão satisfazer
para os deficientes físicos, viúvas, idosos. Vai acontecer. É bom você aceitar").
Visões assustadoras
Só que o futuro não é todo feito de sexo
emocionante com robôs e energia solar livre. O discurso de Barry também inclui
vídeos de alguns outros robôs em desenvolvimento. Se você acha abelhas assustadoras,
é porque ainda não viu o vídeo no YouTube do enxame de
quadrocópteros autônomos. Ou o dispositivo em forma de beija-flor que pode
pairar no ar e, depois, atravessar uma janela, ou o Big Dog, que parece algo
saído do filme Blade Runner, ou, na semana passada, um robô novo com
pernas que consegue fazer o que nenhum Dalek conseguiu: subir escadas.
No entanto, nenhuma dessas coisas está sendo
desenvolvida para ajudar a levar refeições ou no cuidado paliativo. São
máquinas de guerra, a maioria delas desenvolvida com fundos ou apoio da Darpa (encontro
sua chefe, a formidavelmente impressionante Regina Dugan, no banheiro feminino: não parece belicista, mas, uma
semana depois, foi anunciado que ela estava de partida para trabalhar no
Google.)
Até Dan Barry, que comanda sua própria
empresa de robótica, faz uma advertência: “Não vejo nenhum ponto final aqui. Em
algum momento, os humanos não serão suficientemente rápidos, então o que você
faz é torná-los autônomos. Onde isso termina? No Exterminador do Futuro."
Não se trata apenas dos robôs. Ou do fato de
que crianças estarão mexendo com o DNA. "Ninguém quer que seu filho seja o
primeiro a montar o vírus Ebola", diz Venter, “que tem um genoma muito
pequeno”. Mas também não parece haver nenhum caminho prático, que alguém tenha
pensado até agora, para evitar isso.
Durante a apresentação de biotecnologia, ouço
uma voz britânica se levantar e fazer uma pergunta sobre regulação. No
intervalo, converso com o dono da voz, Simon Levene, capitalista de risco
especializado em tecnologia. Está aqui, diz, “porque não há outro lugar tão
multidisciplinar. Essas coisas mudam tanto e tão rapidamente que é quase
impossível se manter a par”. Pagou US$ 5 mil pelos três dias e admite que o
preço é baixo. “Custa muito menos do que um MBA, e fiz o meu em Harvard, e
provavelmente aprendi mais aqui."
A tecnologia é impressionante, diz, mas tem a
mesma apreensão do que eu sobre a utopia tecnológica do Vale do Silício.
"Há alguns efeitos colaterais potencialmente letais, não? Toda solução tem
consequências não intencionadas. E também há questões éticas e regulatórias
muito reais a considerar que estão sendo ignoradas. O problema é que não confio
que o mercado faça isso, mas também não confio no governo. Precisa haver uma
supervisão ética internacional. Um poder simplesmente enorme está para ser
liberado. A Darpa não está aqui para brincadeira."
Uma das coisas mais assustadoras que ouço, no
entanto, não é tão ostensivamente temerosa quanto máquinas de morte autônomas. É
quando Sebastian Thrun está falando. Ele revelou o carro sem motorista na TED em
2011 – desenvolvido em resposta a uma competição realizada pela Darpa – depois
de já ter dirigido 320 mil km pela Califórnia, uma tecnologia que certamente
mudará nossas vidas profundamente.
Tem sido um ano e tanto para Thrun: ao ver
outra apresentação na TED de Salman Khan sobre seu website de educação online, a
Khan Academy, decidiu fazer
um vídeo de uma de suas aulas de inteligência artificial em Stanford e
disponibilizá-lo online. Um número impressionante de 160 mil pessoas se
inscreveram, das quais 23 mil estavam na pós-graduação. A melhor da classe era
uma deficiente chamada Melody Bliss, que trabalha em tempo integral e faz hemodiálise
três vezes por semana.
Foi suficiente para persuadir Thrun a deixar
seu cargo em Stanford e montar a Udacity,
uma universidade online gratuita, aberta a todos, que pode mudar a cara da
educação. Esta é a boa notícia. Só que ele também fundou e é chefe do Google X,
a divisão ultrassecreta de projetos especiais do Google. Está fazendo o
protótipo dos "óculos Google", de realidade aumentada, que
transmitirão a Internet diretamente a seus globos oculares, mas é o que Thrun diz
que está por vir que parece, para mim, ainda mais inovador. Dados maciços.
Sobre tudo. "Acredito sinceramente que, nos próximos 10 a 15 anos, os
computadores conseguirão capturar a experiência de uma vida inteira”, afirma.
Cada aspecto de sua vida existirá online para sempre. E não é um cientista
solitário em um laboratório de computação distante que está afirmando isso. Thrun,
só para lembrar, trabalha para o Google. A memória, aquilo que define quem
somos, que nos torna humanos, que nos diferencia intelectualmente e nos dá um
senso narrativo de nossas próprias vidas, será “terceirizada”. Este mundo, diz Thrun,
"não está muito longe". Desfrute da privacidade luxuosa de suas
próprias lembranças enquanto ainda é tempo.
Depois, Diamandis pede para os cientistas ali
darem suas melhores previsões para os próximos cinco a 20 anos. “As capacidades
de IA serão indiferenciáveis das humanas", diz Thrun. A maioria dos
empregos não existirá mais. "Haverá uma explosão”, prevê, “na arte e na
música”. Nossa definição do que é ser humano vai mudar, de acordo com Dan
Barry. Normal não será mais suficiente. Robôs estão sendo ensinados a ter
emoções. Vamos começar a ter empatia com eles.
Christopher deCharms, neurocientista que ajudou a desenvolver um
novo tipo de máquina de ressonância magnética que pode obter imagens do cérebro
em tempo real, vai mais além. "Acredito que daqui a 10, 20 ou 30 anos,
detectores de mentira irão funcionar, e farão uma retrospectiva até o momento
em que estamos. Haverá uma revolução na privacidade. A transparência chegará
até a nossos pensamentos."
Em seu discurso de abertura, Ray Kurzweil destaca
que um computador
da IBM chamado Watson recentemente havia derrotado os maiores campeões
humanos do programa de jogo da TV Jeopardy:
"E isso não é apenas através de análises estatísticas. Acho muito
significativo. É reconhecimento de padrões, que é o que as pessoas fazem. Tinha
de entender jogos de palavras e metáforas e simulações e piadas. Consegue ler
documentos de linguagem natural. Leu toda a Wikipedia – 200 milhões de páginas
de documentos. Demorou três anos, mas, ao final desse período, há uma vantagem
natural na inteligência da máquina."
A singularidade realmente está próxima,
afirma. Está a menos de 20 anos de distância. “Eu diria que seriam 30 anos
depois de 1999. O consenso, na época, era de 50 anos. hoje, está em torno de 20
anos."
Entretanto, quando envio um e-mail para Sebastian
Thrun pedindo sua opinião, ele responde: “Não é um evento único: é uma
sequência que está em andamento. Será difícil dizer quanto dela já está
acontecendo. De muitas formas, os computadores são mais inteligentes do que as
pessoas hoje."
Seu argumento é bom. "O Siri [assistente
de reconhecimento de voz do iPhone] me faz lembrar de uma mulher que ouve que
um cachorro joga xadrez e lhe perguntam ‘Não é incrível?’” diz Kurzweil. "E
ela responde ‘Sim, mas o fim de jogo dele não é muito bom’."
O fim do jogo provavelmente ficará melhor. O
mundo está mudando, de formas que nem conseguimos imaginar. Seja lá o que
estiver fazendo, a Singularity University está vendo problemas de forma
diferente. Peter Diamandis nunca se refere à superpopulação ou a recursos
limitados. Fala de “três bilhões de novas mentes entrando no mundo online” nos
próximos anos, um dialeto do Vale do Silício para “nascendo”. Essas mentes são
uma oportunidade, insiste, porque "a taxa de inovação é uma função do
número de pessoas que realmente se comunicam e isso está crescendo
explosivamente com a Internet."
Durante o almoço, converso com ele enquanto
equilibra seus bebês gêmeos sobre os joelhos, e é enfático, em vez de
tecnotriunfalista, sobre o que está tentando fazer. Acredita que as pessoas
podem fazer coisas extraordinárias. “Porque essa é minha experiência: vi gente
fazendo coisas extraordinárias."
Então, ele me pergunta: “Você não fez? Nestes
últimos dois dias?” É verdade. Fiz. Há motivos para comemorar. Só que, quando
se trata de homem versus máquina, devo dizer que aposto nas máquinas.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Leão de Cannes na Proxxima
A revista Proxxima publicou o case "SocialPeace" em sua última edição. O nosso case (FSB PR Digital) foi vencedor de um Leão de Prata, em Cannes, este ano, na categoria PR - Melhor Uso de Redes Sociais. O cliente é o Governo do Rio. Dá para ler no iPad e é grátis. Mas se você não tem, posto aqui a matéria. É só clicar na imagem para ampliar.




segunda-feira, 11 de julho de 2011
Em Paris: caminhando a pé pela vida com Woody Allen
Tudo o que se disser sobre Woody Allen está sempre dentro contido na dupla simplicidade e genialidade. É um cineasta absolutamente fiel ao seu estilo e se distrai pela vida nos levando para vê-la pelas angústias divertidas de sua hipocondria e seus questionamentos religiosos e familiares. Mas, a melhor “pegada” de Allen está certamente quando ele nos recolhe pelas mãos – ou nos leva à pé - e conduz na direção do sonho. É, certamente, um dos melhores cineastas de todos os tempos quando roteiriza – e materializa - o encontro entre sonho e realidade.
Em “Meia-Noite em Paris” ele esplende, exibe-se, sua forma está melhor do que em qualquer outro tempo. Certamente a gente é mais ou menos tocado por um filme ou um livro quando eles nos remetem a algo de nossa lenda pessoal, nossa ancestralidade ou mesmo um casuístico desejo de fazer algo que, de repente, aparece ali, na obra de arte. Não é diferente e assim o foi comigo.
Paris guarda o sonho sonhado, desejado, projetado, vivido, redivivo ou sequer imaginado de todo mundo. É o sinônimo de romantismo, a terra de Victor Hugo, Rimbaud, Mallarmè, Gauguin, Sartre, Beauvoir... (me Deus!) E todos os “adotados” que só se viam diante de sua genialidade se fosse num café da Rive Gauche: Hemingway, Elliot, Picasso, Dali, Buñuel... tantos, tantos...
No filme Woody Allen me lembrou Clarice Lispector. Não na intensidade pois ele é mais suave do que ela. Mas na forma de conduzir a narrativa que entrelaça passado e futuro. Ou, para ser mais direta, no jeito que conduz a história medíocre para um plano de mudança arrebatador. A narrativa de Clarice sempre reservava para a personagem principal- normalmente uma pessoa pra lá de comum – um evento que aparecia aparentemente do nada, quase por acaso. E pronto: a vida mudava. Um exemplo entre os mais radicais é a barata de “A Paixão Segundo GH“. A rotina se quebra e um outro mundo se impõe, inexerovalmente.
No caso de Gil, o personagem que vive sua boa vida (e comum) havia uma faísca dormente que espreitava uma forma de se acender de vez. E aí o sino, a chuva e os inenarráveis diálogos com o passado, madrugada de Paris adentro, tocam tambores e fogo!
Mais não conto porque seria privar qualquer pessoa de ser surpreendida pela mágica que uniu Paris e Allen. Posso apenas antecipar que você verá um filme do porte de “A Rosa Púrpura do Cairo”, que hoje disputa, para mim, o lugar de “meu melhor filme” de todos os tempos. Se você acredita que pode chamar seus sonhos por você e não por senhor... veja o filme e se deixe arrebatar. Ave Woody Allen que nos permite estas alegrias! #lifeisgood.
Em “Meia-Noite em Paris” ele esplende, exibe-se, sua forma está melhor do que em qualquer outro tempo. Certamente a gente é mais ou menos tocado por um filme ou um livro quando eles nos remetem a algo de nossa lenda pessoal, nossa ancestralidade ou mesmo um casuístico desejo de fazer algo que, de repente, aparece ali, na obra de arte. Não é diferente e assim o foi comigo.
Paris guarda o sonho sonhado, desejado, projetado, vivido, redivivo ou sequer imaginado de todo mundo. É o sinônimo de romantismo, a terra de Victor Hugo, Rimbaud, Mallarmè, Gauguin, Sartre, Beauvoir... (me Deus!) E todos os “adotados” que só se viam diante de sua genialidade se fosse num café da Rive Gauche: Hemingway, Elliot, Picasso, Dali, Buñuel... tantos, tantos...
No filme Woody Allen me lembrou Clarice Lispector. Não na intensidade pois ele é mais suave do que ela. Mas na forma de conduzir a narrativa que entrelaça passado e futuro. Ou, para ser mais direta, no jeito que conduz a história medíocre para um plano de mudança arrebatador. A narrativa de Clarice sempre reservava para a personagem principal- normalmente uma pessoa pra lá de comum – um evento que aparecia aparentemente do nada, quase por acaso. E pronto: a vida mudava. Um exemplo entre os mais radicais é a barata de “A Paixão Segundo GH“. A rotina se quebra e um outro mundo se impõe, inexerovalmente.
No caso de Gil, o personagem que vive sua boa vida (e comum) havia uma faísca dormente que espreitava uma forma de se acender de vez. E aí o sino, a chuva e os inenarráveis diálogos com o passado, madrugada de Paris adentro, tocam tambores e fogo!
Mais não conto porque seria privar qualquer pessoa de ser surpreendida pela mágica que uniu Paris e Allen. Posso apenas antecipar que você verá um filme do porte de “A Rosa Púrpura do Cairo”, que hoje disputa, para mim, o lugar de “meu melhor filme” de todos os tempos. Se você acredita que pode chamar seus sonhos por você e não por senhor... veja o filme e se deixe arrebatar. Ave Woody Allen que nos permite estas alegrias! #lifeisgood.
domingo, 22 de maio de 2011
Twitter: de Andy Wharol ao Graal
(*) Artigo originalmente publicado no Portal IDGNow http://t.co/HcMNzjO
O Twitter virou uma dobradiça por onde passam hoje nossos muitos “ais” e “uis”? Trata-se de um Graal digital? Ou um Andy Wharol redivivo? Onde estão suas inflexões mais apaixonantes é onde também habitam suas mesmices. Sim, ele exerce uma atração incrível para gente de todo tipo. E isso tem nos deixado diante de situações, cenas e atitudes que não se imagina em outro meio que não tivesse suas características. Sua mobilidade nos permite publicar de qualquer lugar. Sua instantaneidade pauta a mídia offline. É “fun” (foto, twitcam, mini vídeos, textos suaves) e, especialmente, tem essa possibilidade de liberar e compartilhar a criatividade da vida pessoal e fazer releituras das posturas corporativas. Ainda que, neste último caso, com um risco gigantesco.
Vejam o que anda acontecendo com os buscadores. O impacto do Twitter nos sistemas de busca parece ficar mais interessante a cada dia. Acabo de ler uma apresentação feita pela empresa Seomoz (www.seomoz.org), em Melbourne, no evento da @istrategy, em que a empresa mostra como fez um teste, no mínimo, curioso. Eles mesmos dizem que ainda é empírico. Mas é um exemplo para pensar. Publicaram um link com uma informação sobre uma campanha humanitária (no mesmo domínio e como as mesmas key words) e divulgaram as duas de maneiras diferentes. Em um caso distribuíram o link para sites e no outro usaram apenas 1 link no Twitter.
No primeiro caso, o link “tradicional” gerou 646 links em 36 domínios diferentes e teve 2 tweets . No segundo caso, o tweet único teve 522 novos tweets. Resultado final? O link do Twitter jogou rapidamente a campanha para o 1º. lugar do Google. O outro nem apareceu. Ou seja, os buscadores hoje estão com seus algoritmos focadíssimos na relevância dos Tweets. Fique atento a isso para sua próxima campanha nas mídias sociais. E com a estratégia de SEO, inclusive.
É impressionante também como o movimento de migração dos meios off line para o digital trouxe-lhes uma nova perspectiva. Alguns até se reposicionaram. Vários deixaram de ser aquele jornalão ou revista chatos que a gente lia com vontade, mas sem desejo. E isso faz diferença, a gente sabe! É verdade que muitos ainda estão tateando e não sabem nem mesmo se a quantidade de perfis – por exemplo - que criam para cada editoria é boa ou não. Ou como lidar com seus colunistas simultâneos de tinta e bits sem canibalizar o papel (e o pão deles) do dia seguinte. Esses e outros tais existenciais são próprios de uma transição. E talvez essa resposta nem exista mesmo. Melhor não antecipar a menopausa. Mas é uma grande reviravolta terem se juntado ao cidadão comum no microblog entendendo que no Twitter vale também o que está na origem da genética jornalística: o que conta é a informação veloz que se revela o mais perto possível do momento real da notícia.
Todos os grandes veículos mundiais possuem perfis no Twitter. E quando monitoramos um tema para saber seu alcance e impacto, acreditem, eles estão lá em 1º lugar com o maior grau de influência, de retweets e replies. Ali são também mídia de massa! E, melhor, ficaram mais fun. Agora são mais desejados. Gostamos mais hoje de ler a grande mídia no on line. Simplificou nossa vida. “Culpa” também dos celulares e da banda 3G... E bem, depois... se o assunto se desdobra, rola um papel. Mas não é mais assim... um grande desejo ir atrás dele.
E, finalmente, volto a um aspecto que sempre me deixa estupefata toda vez que abro o Twitter quando acordo: a distância curta e direta entre o hostil e os anos-luz que separam 140 caracteres da tolerância. Dizem que os adolescentes não possuem nuances, não é mesmo? Como se só vissem em preto ou branco, ignorando o cinza. É uma boa analogia para o Twitter: a hostilidade (a gratuita, e, por isso, mais grave) e a reconhecidamente necessária (aquela que visa denunciar com responsabilidade, por exemplo) estão ali, ágeis, criando correntes importantes. Isso é especialmente relevante, pelo que já escrevi antes, porque possuem a capacidade de transbordar para o offline também. No caso do gratuito é de um dano tremendo porque poucas vezes se faz o movimento – justo - de retificação. Herança talvez da imprensa offline onde o direito de resposta, por exemplo, é muito restrito diante do estrago causado por uma informação errada dada em manchetes.
Ouviu, sofreu, leu, manda-se em frente o post como se não houvesse amanhã. E existe amanhã! E dessa forma reputações são erodidas com retweets fáceis e, nesses casos, muitas vezes por pessoas que querem apenas colocar um “pin virtual “ na sua persona egóica do tipo: eu tuitei isto! Pura irresponsabilidade.
Seria diminutivo se não falasse de quantos engajamentos em causas eu já vi acontecerem no Twitter. O case da Tomada do Complexo do Alemão com o #paznorio, a #ondaverde da Marina Silva, #chuvasrj com a tragédia da Serra Fluminense e outras lideradas por marcas como a Pepsi, que tem feito um trabalho brilhante nas redes, só para citar uma marca. Não são pelo modismo e nem pelo tal “pin virtual” mas sim porque você quer contribuir para algum debate de maneira inteligente. Mas mesmo aqui tenho observado escorregões como o apoio a doação de sangue. Qual o percentual de pessoas que tuita e depois vai mesmo lá doar? Ok, ok, nem todo mundo precisa doar. É bom também ser meio e não agente. Mas só tuitar também para cumprir sua “persona digitalis” é questionável, não?
E tem também as causas “Andy Wharol” que dão, em curto tempo, celebrização para certos temas. Depois são enterradas em algum enorme lixão virtual onde os “trending topics” devem ser descartados todo final de tarde pela turma de Biz Stone. Que Deus as tenha. É a dinâmica do real time. E é fun. Gosto muito disso.
O melhor é que a gente pode viver essas movimentações com a certeza que, talvez, a parte mais crucial para se entender esse novo Graal digital é ser resiliente. Um estilingue que tensiona, dispara e não deforma seriamente. Mas a própria vida é assim não é? Com a grande vantagem de possuir bem mais do que 140 caracteres! ;-)
O Twitter virou uma dobradiça por onde passam hoje nossos muitos “ais” e “uis”? Trata-se de um Graal digital? Ou um Andy Wharol redivivo? Onde estão suas inflexões mais apaixonantes é onde também habitam suas mesmices. Sim, ele exerce uma atração incrível para gente de todo tipo. E isso tem nos deixado diante de situações, cenas e atitudes que não se imagina em outro meio que não tivesse suas características. Sua mobilidade nos permite publicar de qualquer lugar. Sua instantaneidade pauta a mídia offline. É “fun” (foto, twitcam, mini vídeos, textos suaves) e, especialmente, tem essa possibilidade de liberar e compartilhar a criatividade da vida pessoal e fazer releituras das posturas corporativas. Ainda que, neste último caso, com um risco gigantesco.
Vejam o que anda acontecendo com os buscadores. O impacto do Twitter nos sistemas de busca parece ficar mais interessante a cada dia. Acabo de ler uma apresentação feita pela empresa Seomoz (www.seomoz.org), em Melbourne, no evento da @istrategy, em que a empresa mostra como fez um teste, no mínimo, curioso. Eles mesmos dizem que ainda é empírico. Mas é um exemplo para pensar. Publicaram um link com uma informação sobre uma campanha humanitária (no mesmo domínio e como as mesmas key words) e divulgaram as duas de maneiras diferentes. Em um caso distribuíram o link para sites e no outro usaram apenas 1 link no Twitter.
No primeiro caso, o link “tradicional” gerou 646 links em 36 domínios diferentes e teve 2 tweets . No segundo caso, o tweet único teve 522 novos tweets. Resultado final? O link do Twitter jogou rapidamente a campanha para o 1º. lugar do Google. O outro nem apareceu. Ou seja, os buscadores hoje estão com seus algoritmos focadíssimos na relevância dos Tweets. Fique atento a isso para sua próxima campanha nas mídias sociais. E com a estratégia de SEO, inclusive.
É impressionante também como o movimento de migração dos meios off line para o digital trouxe-lhes uma nova perspectiva. Alguns até se reposicionaram. Vários deixaram de ser aquele jornalão ou revista chatos que a gente lia com vontade, mas sem desejo. E isso faz diferença, a gente sabe! É verdade que muitos ainda estão tateando e não sabem nem mesmo se a quantidade de perfis – por exemplo - que criam para cada editoria é boa ou não. Ou como lidar com seus colunistas simultâneos de tinta e bits sem canibalizar o papel (e o pão deles) do dia seguinte. Esses e outros tais existenciais são próprios de uma transição. E talvez essa resposta nem exista mesmo. Melhor não antecipar a menopausa. Mas é uma grande reviravolta terem se juntado ao cidadão comum no microblog entendendo que no Twitter vale também o que está na origem da genética jornalística: o que conta é a informação veloz que se revela o mais perto possível do momento real da notícia.
Todos os grandes veículos mundiais possuem perfis no Twitter. E quando monitoramos um tema para saber seu alcance e impacto, acreditem, eles estão lá em 1º lugar com o maior grau de influência, de retweets e replies. Ali são também mídia de massa! E, melhor, ficaram mais fun. Agora são mais desejados. Gostamos mais hoje de ler a grande mídia no on line. Simplificou nossa vida. “Culpa” também dos celulares e da banda 3G... E bem, depois... se o assunto se desdobra, rola um papel. Mas não é mais assim... um grande desejo ir atrás dele.
E, finalmente, volto a um aspecto que sempre me deixa estupefata toda vez que abro o Twitter quando acordo: a distância curta e direta entre o hostil e os anos-luz que separam 140 caracteres da tolerância. Dizem que os adolescentes não possuem nuances, não é mesmo? Como se só vissem em preto ou branco, ignorando o cinza. É uma boa analogia para o Twitter: a hostilidade (a gratuita, e, por isso, mais grave) e a reconhecidamente necessária (aquela que visa denunciar com responsabilidade, por exemplo) estão ali, ágeis, criando correntes importantes. Isso é especialmente relevante, pelo que já escrevi antes, porque possuem a capacidade de transbordar para o offline também. No caso do gratuito é de um dano tremendo porque poucas vezes se faz o movimento – justo - de retificação. Herança talvez da imprensa offline onde o direito de resposta, por exemplo, é muito restrito diante do estrago causado por uma informação errada dada em manchetes.
Ouviu, sofreu, leu, manda-se em frente o post como se não houvesse amanhã. E existe amanhã! E dessa forma reputações são erodidas com retweets fáceis e, nesses casos, muitas vezes por pessoas que querem apenas colocar um “pin virtual “ na sua persona egóica do tipo: eu tuitei isto! Pura irresponsabilidade.
Seria diminutivo se não falasse de quantos engajamentos em causas eu já vi acontecerem no Twitter. O case da Tomada do Complexo do Alemão com o #paznorio, a #ondaverde da Marina Silva, #chuvasrj com a tragédia da Serra Fluminense e outras lideradas por marcas como a Pepsi, que tem feito um trabalho brilhante nas redes, só para citar uma marca. Não são pelo modismo e nem pelo tal “pin virtual” mas sim porque você quer contribuir para algum debate de maneira inteligente. Mas mesmo aqui tenho observado escorregões como o apoio a doação de sangue. Qual o percentual de pessoas que tuita e depois vai mesmo lá doar? Ok, ok, nem todo mundo precisa doar. É bom também ser meio e não agente. Mas só tuitar também para cumprir sua “persona digitalis” é questionável, não?
E tem também as causas “Andy Wharol” que dão, em curto tempo, celebrização para certos temas. Depois são enterradas em algum enorme lixão virtual onde os “trending topics” devem ser descartados todo final de tarde pela turma de Biz Stone. Que Deus as tenha. É a dinâmica do real time. E é fun. Gosto muito disso.
O melhor é que a gente pode viver essas movimentações com a certeza que, talvez, a parte mais crucial para se entender esse novo Graal digital é ser resiliente. Um estilingue que tensiona, dispara e não deforma seriamente. Mas a própria vida é assim não é? Com a grande vantagem de possuir bem mais do que 140 caracteres! ;-)
Redes Sociais: Constrangimento e Morte
O uso inadequado de ferramentas digitais está virando uma arma perigosa. Literalmente. Em alguns casos mais graves que outros. Tem matado. Menos complicado quando é de vergonha. Mas em muitos casos é tirando mesmo a vida das pessoas.
Pesquisadores da Universidade de Utah (EUA) dizem que uso do celular enquanto se dirige é quase tão perigoso quanto uma pessoa alcoolizada no volante. Eles mostraram que aliar celular e direção quadruplica o risco de acidente.
A isso se soma uma enxurrada de outros tipos de constrangimentos: mensagens postadas no ardor de uma insatisfação profissional ou pessoal; desabafos tornados públicos depois de uma briga; opiniões compartilhadas com o teor de doses etílicas, vazamento de dados estratégicos.
O fato é que o tema merece um debate maior. Por vergonha, profissionalismo ou por amor à vida, é bom começar a prestar mais atenção nesses desdobramentos.
Esta semana a imprensa mostrou um filme em que adolescentes se dividem entre dirigir o carro e enviar torpedos no celular.
A sequência pavorosa que se segue ao descontrole do carro “dirigido” pela dona do celular está se tornando comum em várias estradas: carros batendo, capotando, gente quebrada, sangrando e morrendo.
O Programa “Mais Você” mostrou esse vídeo chocante e abordou o tema esta semana:http://glo.bo/itCixe
O alerta é vermelho. Não se trata mais só de usar a parte de voz do celular ao volante – vício mais antigo, perigoso e passível de multa – e sim de se tentar acessar conteúdos mais complexos, enviar SMS e postar nas redes sociais, preterindo a estrada.
Outro exemplo recente é o patético uso que os jogadores de futebol começaram a fazer do Twitter. Historicamente mal preparados para a comunicação, na rede eles repetem o comportamento: postam desde insatisfação com o banco de reservas até rixas clubísticas que tem incendiado chefes de torcidas nas arquibancadas.
E fica o pior: ajudam a aumentar o patamar da beligerância que voltou a tomar conta do clima dos jogos de futebol, com brigas violentas que são marcadas antecipadamente pelas torcidas, em comunidades nas redes sociais. Tem sido recorrente.
Há também situações vexatórias que algumas instituições – e empresas – têm vivido com “acidentes” na publicação de comentários pessoais em perfis corporativos.
Casos constrangedores recentes envolveram os senadores José Sarney e Aécio Neves. E, aí, danou-se. A rede não “conjuga” o verbo “apagar”. Vira manchete na rede e no offline.
No âmbito privado a confusão não tem sido menor. As demissões se multiplicam por justa causa. Nos EUA chegam a 7% do total. Motivo? Vazamento de dados estratégicos.
Seria diminutivo creditar esses problemas à ampliação do uso das redes sociais e do celular no país. A questão está mais no patamar da educação: em casa, institucional e corporativa.
São pais permissivos com seus filhos conectados e sem limites; profissionais mal orientados pelos clubes e empresas; cidadãos que não são punidos com o necessário rigor porque usam seus lindos smartphones enquanto dirigem.
São, enfim, profissionais sem preparo que são responsáveis por publicar conteúdos em redes que representam posicionamentos oficiais de empresas e instituições sérias. E que precisam zelar por sua reputação também no ambiente digital.
As redes sociais e os celulares se transformaram em grandes conquistas recentes que a tecnologia trouxe para melhorar nossa vida.
Transformá-los em arma de morte e constrangimento é uma estupidez e uma distorção que precisa ser debatida e tratada. Afinal, a inclusão digital é um caminho irreversível.
Artigo originalmente publicado no @blogdonoblat http://glo.bo/mIfG5Y
Pesquisadores da Universidade de Utah (EUA) dizem que uso do celular enquanto se dirige é quase tão perigoso quanto uma pessoa alcoolizada no volante. Eles mostraram que aliar celular e direção quadruplica o risco de acidente.
A isso se soma uma enxurrada de outros tipos de constrangimentos: mensagens postadas no ardor de uma insatisfação profissional ou pessoal; desabafos tornados públicos depois de uma briga; opiniões compartilhadas com o teor de doses etílicas, vazamento de dados estratégicos.
O fato é que o tema merece um debate maior. Por vergonha, profissionalismo ou por amor à vida, é bom começar a prestar mais atenção nesses desdobramentos.
Esta semana a imprensa mostrou um filme em que adolescentes se dividem entre dirigir o carro e enviar torpedos no celular.
A sequência pavorosa que se segue ao descontrole do carro “dirigido” pela dona do celular está se tornando comum em várias estradas: carros batendo, capotando, gente quebrada, sangrando e morrendo.
O Programa “Mais Você” mostrou esse vídeo chocante e abordou o tema esta semana:http://glo.bo/itCixe
O alerta é vermelho. Não se trata mais só de usar a parte de voz do celular ao volante – vício mais antigo, perigoso e passível de multa – e sim de se tentar acessar conteúdos mais complexos, enviar SMS e postar nas redes sociais, preterindo a estrada.
Outro exemplo recente é o patético uso que os jogadores de futebol começaram a fazer do Twitter. Historicamente mal preparados para a comunicação, na rede eles repetem o comportamento: postam desde insatisfação com o banco de reservas até rixas clubísticas que tem incendiado chefes de torcidas nas arquibancadas.
E fica o pior: ajudam a aumentar o patamar da beligerância que voltou a tomar conta do clima dos jogos de futebol, com brigas violentas que são marcadas antecipadamente pelas torcidas, em comunidades nas redes sociais. Tem sido recorrente.
Há também situações vexatórias que algumas instituições – e empresas – têm vivido com “acidentes” na publicação de comentários pessoais em perfis corporativos.
Casos constrangedores recentes envolveram os senadores José Sarney e Aécio Neves. E, aí, danou-se. A rede não “conjuga” o verbo “apagar”. Vira manchete na rede e no offline.
No âmbito privado a confusão não tem sido menor. As demissões se multiplicam por justa causa. Nos EUA chegam a 7% do total. Motivo? Vazamento de dados estratégicos.
Seria diminutivo creditar esses problemas à ampliação do uso das redes sociais e do celular no país. A questão está mais no patamar da educação: em casa, institucional e corporativa.
São pais permissivos com seus filhos conectados e sem limites; profissionais mal orientados pelos clubes e empresas; cidadãos que não são punidos com o necessário rigor porque usam seus lindos smartphones enquanto dirigem.
São, enfim, profissionais sem preparo que são responsáveis por publicar conteúdos em redes que representam posicionamentos oficiais de empresas e instituições sérias. E que precisam zelar por sua reputação também no ambiente digital.
As redes sociais e os celulares se transformaram em grandes conquistas recentes que a tecnologia trouxe para melhorar nossa vida.
Transformá-los em arma de morte e constrangimento é uma estupidez e uma distorção que precisa ser debatida e tratada. Afinal, a inclusão digital é um caminho irreversível.
Artigo originalmente publicado no @blogdonoblat http://glo.bo/mIfG5Y
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Solidariedade e Mobilização das Redes na Tragédia Serrana
Quando a água virou tragédia na Serra Carioca, solidariedade e compartilhamento de informações responderam como ajuda via redes sociais. No mundo real, só no Corpo de Bombeiros do Rio, até a noite do dia 25/01, foram entregues 334 toneladas de alimentos e produtos de higiene para as vítimas das chuvas. Já o volume virtual não foi menor. A hashtag #prayforbrazil - criada para apoiar e sinalizar comentários no Twitter sobre o tema - alcançou mais de 4,3 milhões de pessoas em 10 dias. Foram mais de 35 milhões mensagens. Um pico gigante, natural em momento de choque e espanto. Essa mobilização deixa agora uma grande questão que deve ser colocada: o quanto as redes sociais continuarão mobilizadas em torno desse tema e assim manter sua ajuda informativa e questionadora?
A informação tem um ciclo e ele naturalmente tem o pico e o vale de interesse por temas. Nas redes sociais acontece exatamente como na mídia clássica. Um exemplo é primeiro gráfico abaixo onde vemos o desempenho da hashtag #prayforbrazil. No dia, 14/01, seu dia mais intenso, chegou a 2.8 milhões. Alonga-se com menos intensidade até o dia 20/01 com boa mobilização, pois o impacto da tragédia – que gera o pico de interesse - já tinha passado. Depois despenca.
Quando focamos a estatística do Twitter em palavras mais específicas onde relacionamos o nome das cidades (ex: Teresópolis) com a palavra “chuvas” (acima), o alcance no microblog chega, no mesmo período citado, a 6,8 milhões de perfis individuais com 74 milhões de repetições. E, neste caso é bem claro um “assim no on, como no off”. O grande volume de informação que circulou no Twitter, neste caso, foi pela força que a mídia clássica tem em penetração nas redes sociais, especialmente na rede que analiso aqui. Destaques em números de exibições: @g1 (7.638.714) @portalr7 (3.836.207), @JornalOGlobo (1.984.703) e o @BlogdoNoblat (1.710.875). Na outra ponta, da participação cidadã, temos os perfis de celebridades, com destaque para @pecesiqueira (1.143.278) @HugoGloss (968.907), @astridfontenell (886.567) e @bgagliasso (835.986).
Entre os temas a doação de sangue é o que teve maior exposição até hoje no Twitter. Não foi à toa que vimos o HEMORIO pedir para as pessoas adiarem a doação porque teve um super estoque. A seguir vemos uma grande corrente de divulgação de endereços para que os internautas entendam como, onde e com o que podem ajudar. Isso sim, é serviço de alto nível e credibilidade na melhor performance do boca-a-boca.
O desafio de quem teve a vida tão brutalmente mexida nestes dias, na Região Serrana do Rio, não pode sequer ser medido. Meses e anos virão por aí até que as cidades sejam reconstruídas. E muitas famílias sequer poderão fazer isso. Neste momento em que o tema começa a se tornar, naturalmente, menos comentado nas redes sociais no Brasil, era bom que as ONG’s conectadas, as celebridades influentes e os órgãos oficiais que possuem trabalhos nas redes identificassem um modo de manter o interesse virtual ativo. A solidariedade precisa dessa mobilização permanente, pois o desafio é grande. E isso também é bom porque as pessoas poderão acompanhar e cobrar as implantações que todas as escalas de Governo prometeram e estão planejadas. Solidariedade pode, nesse caso, ajudar na transparência.
A informação tem um ciclo e ele naturalmente tem o pico e o vale de interesse por temas. Nas redes sociais acontece exatamente como na mídia clássica. Um exemplo é primeiro gráfico abaixo onde vemos o desempenho da hashtag #prayforbrazil. No dia, 14/01, seu dia mais intenso, chegou a 2.8 milhões. Alonga-se com menos intensidade até o dia 20/01 com boa mobilização, pois o impacto da tragédia – que gera o pico de interesse - já tinha passado. Depois despenca.
Quando focamos a estatística do Twitter em palavras mais específicas onde relacionamos o nome das cidades (ex: Teresópolis) com a palavra “chuvas” (acima), o alcance no microblog chega, no mesmo período citado, a 6,8 milhões de perfis individuais com 74 milhões de repetições. E, neste caso é bem claro um “assim no on, como no off”. O grande volume de informação que circulou no Twitter, neste caso, foi pela força que a mídia clássica tem em penetração nas redes sociais, especialmente na rede que analiso aqui. Destaques em números de exibições: @g1 (7.638.714) @portalr7 (3.836.207), @JornalOGlobo (1.984.703) e o @BlogdoNoblat (1.710.875). Na outra ponta, da participação cidadã, temos os perfis de celebridades, com destaque para @pecesiqueira (1.143.278) @HugoGloss (968.907), @astridfontenell (886.567) e @bgagliasso (835.986).
Entre os temas a doação de sangue é o que teve maior exposição até hoje no Twitter. Não foi à toa que vimos o HEMORIO pedir para as pessoas adiarem a doação porque teve um super estoque. A seguir vemos uma grande corrente de divulgação de endereços para que os internautas entendam como, onde e com o que podem ajudar. Isso sim, é serviço de alto nível e credibilidade na melhor performance do boca-a-boca.
O desafio de quem teve a vida tão brutalmente mexida nestes dias, na Região Serrana do Rio, não pode sequer ser medido. Meses e anos virão por aí até que as cidades sejam reconstruídas. E muitas famílias sequer poderão fazer isso. Neste momento em que o tema começa a se tornar, naturalmente, menos comentado nas redes sociais no Brasil, era bom que as ONG’s conectadas, as celebridades influentes e os órgãos oficiais que possuem trabalhos nas redes identificassem um modo de manter o interesse virtual ativo. A solidariedade precisa dessa mobilização permanente, pois o desafio é grande. E isso também é bom porque as pessoas poderão acompanhar e cobrar as implantações que todas as escalas de Governo prometeram e estão planejadas. Solidariedade pode, nesse caso, ajudar na transparência.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O Site Institucional e o Portal do Inferno
* Artigo originalmente publicado no @blogdonoblat em: http://bit.ly/hpzKNz
O site institucional agoniza e o Portal do Inferno é mais atraente.
O título é uma provocação. Mas penso que traz uma reflexão necessária para empresas e para o mercado de comunicação digital dentro de uma visão ampla de relacionamento entre marcas e consumidores. Quem está agonizando é o site como conhecemos nesta última década. A adoção massiva dos brasileiros às plataformas de colaboração exige sua mudança de foco, pois ele perdeu o protagonismo para as redes sociais.
A maioria das empresas no Brasil ainda centraliza seus conteúdos nos seus portais e fazem tentativas de conversar com seus públicos apenas no chamado ambiente “institucional”. Algumas procuram dar a estes um formato de rede social, reproduzindo, com assinatura corporativa, o modelo gratuito das plataformas de colaboração como Orkut, Facebook e Twitter. Acho a iniciativa válida. Mas a velocidade das mudanças nos condicionam a olhar incessantemente para os lados. Uma rede social é um bom modelo dentro do ambiente corporativo, mas não tem e nunca terá todas as características das redes externas. Ela tem limite de atração. Para o consumidor, mal comparando, é como ir à festa de final de ano com seu marido ou mulher. Você nunca vai ser expressar da mesma maneira.
Os ambientes institucionais e corporativos devem avalizar os posicionamentos da empresa. São “assinados” por ela e carregam, dessa forma, credibilidade (um bem que a gente necessita sempre mais e mais na web). É sua função alavancar seus conteúdos e que assumir o papel de distribuidores de matéria-prima para o posicionamento da marca nas redes sociais.
O que é cada dia mais claro é que, se antes as empresas trabalhavam arduamente para trazer seus clientes para o site, agora passam a ir atrás deles no Facebook, no Orkut e no Twitter. Trocaram o “venha” pelo “eu vou”; o “eu falo” pelo “eu ouço”; o “venha me conhecer” pelo “eu quero te entender”.
A principal virada não está do lado dos consumidores. Sabemos que os brasileiros são rápidos adotantes de tecnologia e tendências. A quebra de paradigma vem mesmo do lado das empresas. Elas nem bem se acostumaram que precisam responder a tempo e com profissionais aos “Fale Conosco” e manter seus sites atualizados e já precisam entender o seu consumidor no ambiente incontrolável das redes sociais. E sem o protagonismo anterior.
É um desafio e tanto. Gosto de fazer analogia com a descrição de outro portal: o do Inferno de Dante. No clássico Divina Comédia, ao se chegar ali se lê algo como: vós, que aqui entrais, deixais toda a esperança. Então é hora e tempo de empresas, com toda a licença poética merecida à Alighieri, rever essa frase, deixando de olhar as redes sociais como um ambiente apenas de ameaça “infernal” e apostar em outra derivação: vós que aqui entrais, trazeis toda a esperança. Significa entender que o site institucional tem um lugar diferenciado, mas que o protagonismo de quem mantém uma empresa de pé – o cliente - não acontece mais nele (ou apenas nele) e sim, neste momento, nas redes sociais. É ir lá encarar os 40o graus e conversar olho no olho que é como as pessoas gostam de ser tratadas por suas marcas favoritas.
O site institucional agoniza e o Portal do Inferno é mais atraente.
O título é uma provocação. Mas penso que traz uma reflexão necessária para empresas e para o mercado de comunicação digital dentro de uma visão ampla de relacionamento entre marcas e consumidores. Quem está agonizando é o site como conhecemos nesta última década. A adoção massiva dos brasileiros às plataformas de colaboração exige sua mudança de foco, pois ele perdeu o protagonismo para as redes sociais.
A maioria das empresas no Brasil ainda centraliza seus conteúdos nos seus portais e fazem tentativas de conversar com seus públicos apenas no chamado ambiente “institucional”. Algumas procuram dar a estes um formato de rede social, reproduzindo, com assinatura corporativa, o modelo gratuito das plataformas de colaboração como Orkut, Facebook e Twitter. Acho a iniciativa válida. Mas a velocidade das mudanças nos condicionam a olhar incessantemente para os lados. Uma rede social é um bom modelo dentro do ambiente corporativo, mas não tem e nunca terá todas as características das redes externas. Ela tem limite de atração. Para o consumidor, mal comparando, é como ir à festa de final de ano com seu marido ou mulher. Você nunca vai ser expressar da mesma maneira.
Os ambientes institucionais e corporativos devem avalizar os posicionamentos da empresa. São “assinados” por ela e carregam, dessa forma, credibilidade (um bem que a gente necessita sempre mais e mais na web). É sua função alavancar seus conteúdos e que assumir o papel de distribuidores de matéria-prima para o posicionamento da marca nas redes sociais.
O que é cada dia mais claro é que, se antes as empresas trabalhavam arduamente para trazer seus clientes para o site, agora passam a ir atrás deles no Facebook, no Orkut e no Twitter. Trocaram o “venha” pelo “eu vou”; o “eu falo” pelo “eu ouço”; o “venha me conhecer” pelo “eu quero te entender”.
A principal virada não está do lado dos consumidores. Sabemos que os brasileiros são rápidos adotantes de tecnologia e tendências. A quebra de paradigma vem mesmo do lado das empresas. Elas nem bem se acostumaram que precisam responder a tempo e com profissionais aos “Fale Conosco” e manter seus sites atualizados e já precisam entender o seu consumidor no ambiente incontrolável das redes sociais. E sem o protagonismo anterior.
É um desafio e tanto. Gosto de fazer analogia com a descrição de outro portal: o do Inferno de Dante. No clássico Divina Comédia, ao se chegar ali se lê algo como: vós, que aqui entrais, deixais toda a esperança. Então é hora e tempo de empresas, com toda a licença poética merecida à Alighieri, rever essa frase, deixando de olhar as redes sociais como um ambiente apenas de ameaça “infernal” e apostar em outra derivação: vós que aqui entrais, trazeis toda a esperança. Significa entender que o site institucional tem um lugar diferenciado, mas que o protagonismo de quem mantém uma empresa de pé – o cliente - não acontece mais nele (ou apenas nele) e sim, neste momento, nas redes sociais. É ir lá encarar os 40o graus e conversar olho no olho que é como as pessoas gostam de ser tratadas por suas marcas favoritas.
sábado, 27 de novembro de 2010
A virada das Redes Sociais no Caos do Rio
O publicitário Carlito Maia disse um dia que nós não precisamos de muito, apenas um dos outros. E nas redes sociais esse lema é o próprio conceito e uma das razões de sua existência. Trocando dados e informações criamos causas que nos tornam melhores como pessoas e como sociedade. E foi isso que aconteceu nestes dias recentes de guerra entre os traficantes e a polícia no Rio de Janeiro.
Foi interessante observar que nos primeiros dias de conflito prevalecia o raivoso e o individual. A rede é hostil. Sempre digo isso. E essa não é uma constatação negativa. Hostil porque tem uma “fala direta” (vamos tirar dessa lista os que criticam por criticar, sem nenhuma visão construtiva dos fatos, os famosos “trolleiros”). A dinâmica é: avião atrasou, detona no Twitter. Não gosta da postura de alguém público? Tuita. Ilegal na rua? Fotografa e publica. Ou seja, com o poder de nos conectarmos praticamente em qualquer lugar, estamos sempre muito à vontade para mostrar nosso desassossego com alguma coisa. E essa hostilidade é boa porque as empresas e governos começam a ouvir isso e a entender como feedback para melhorar. Isso é precioso. Ouvir, neste caso, é verbo imperativo.
Sobre os problemas do Rio. No início os posts eram individuais (minha rua, meu medo, minha vida, minha cidade invadida, tá tudo queimando). E havia também posts vociferantes contra quem deveria ter evitado essa situação. Nesse caso, os governos e seus líderes. Mas esse movimento individual e personalista foi tomando outra forma e antes mesmo de acontecer a reação mais contundente da polícia. O caso da Vila Cruzeiro fez o ponto de inflexão girar de vez. Mas antes, já na quarta-feira, os posts com hashtags como #paznorio começaram a entrar no ranking entre os mais citados. E daí em diante cresceu. A própria “regulação” da rede funcionou. Aumentou o volume de quem criticava os que estavam veiculando informação não confirmada, ou seja, boatos. Subiu o tom de crítica aos individualistas e aos pregadores de pânico. Daí em diante a rede montou-se positivamente em torno do Rio: vamos sair dessa, vamos para cima deles, apoio à polícia e ao governo, é hora de dar a virada.
No final da tarde de ontem, dos 10 tópicos mais citados no mundo no ranking do Twitter, 5 eram sobre o Rio (bope, Cabral, vila cruzeiro, paz no rio, penha). Na hora da entrevista do Secretário de Segurança Pública transmitida com vídeos pelos perfis @segurancarj e @govrj, a hashtag #beltrame chegou, em 1 hora, a mais de 320 mil exibições na rede, tuitada por quase 190 mil pessoas. O @segurancarj fez Twitcam com o Secretário Edval Novaes pela manhã e às 20 hs. Vários perfis passaram a tuitar os eventos pela cidade, avisando sobre condições da cidade como o @caosrj que virou um agregador de notícias. Trocamos o pânico e a revolta individual pelo engajamento na causa coletiva. É o movimento e o momento que mostram a face mais bonita da rede: quando ela percebe sua capacidade de mobilização e de juntar forças.
Este artigo foi originalmente publicado no dia 27/11/2010 no @blogdonoblat
Foi interessante observar que nos primeiros dias de conflito prevalecia o raivoso e o individual. A rede é hostil. Sempre digo isso. E essa não é uma constatação negativa. Hostil porque tem uma “fala direta” (vamos tirar dessa lista os que criticam por criticar, sem nenhuma visão construtiva dos fatos, os famosos “trolleiros”). A dinâmica é: avião atrasou, detona no Twitter. Não gosta da postura de alguém público? Tuita. Ilegal na rua? Fotografa e publica. Ou seja, com o poder de nos conectarmos praticamente em qualquer lugar, estamos sempre muito à vontade para mostrar nosso desassossego com alguma coisa. E essa hostilidade é boa porque as empresas e governos começam a ouvir isso e a entender como feedback para melhorar. Isso é precioso. Ouvir, neste caso, é verbo imperativo.
Sobre os problemas do Rio. No início os posts eram individuais (minha rua, meu medo, minha vida, minha cidade invadida, tá tudo queimando). E havia também posts vociferantes contra quem deveria ter evitado essa situação. Nesse caso, os governos e seus líderes. Mas esse movimento individual e personalista foi tomando outra forma e antes mesmo de acontecer a reação mais contundente da polícia. O caso da Vila Cruzeiro fez o ponto de inflexão girar de vez. Mas antes, já na quarta-feira, os posts com hashtags como #paznorio começaram a entrar no ranking entre os mais citados. E daí em diante cresceu. A própria “regulação” da rede funcionou. Aumentou o volume de quem criticava os que estavam veiculando informação não confirmada, ou seja, boatos. Subiu o tom de crítica aos individualistas e aos pregadores de pânico. Daí em diante a rede montou-se positivamente em torno do Rio: vamos sair dessa, vamos para cima deles, apoio à polícia e ao governo, é hora de dar a virada.
No final da tarde de ontem, dos 10 tópicos mais citados no mundo no ranking do Twitter, 5 eram sobre o Rio (bope, Cabral, vila cruzeiro, paz no rio, penha). Na hora da entrevista do Secretário de Segurança Pública transmitida com vídeos pelos perfis @segurancarj e @govrj, a hashtag #beltrame chegou, em 1 hora, a mais de 320 mil exibições na rede, tuitada por quase 190 mil pessoas. O @segurancarj fez Twitcam com o Secretário Edval Novaes pela manhã e às 20 hs. Vários perfis passaram a tuitar os eventos pela cidade, avisando sobre condições da cidade como o @caosrj que virou um agregador de notícias. Trocamos o pânico e a revolta individual pelo engajamento na causa coletiva. É o movimento e o momento que mostram a face mais bonita da rede: quando ela percebe sua capacidade de mobilização e de juntar forças.
Este artigo foi originalmente publicado no dia 27/11/2010 no @blogdonoblat
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