domingo, 7 de março de 2010

Conceito antes da Ferrramenta para os Porta-Vozes da verdadeira história da humanidade

Estive na sexta-feira, participando de um evento muito legal - o Circuito 4 x 1 (http://www.circuito4x1.com.br/ ) - a convite do @kakamachine e sua turma que tem agitado o mercado do Rio com eventos e debates sobre o ambiente digital. Minha missão profissional era falar um pouco da minha experiência em Gestão de Projetos em Mídias Sociais. A missão pessoal era encontrar pessoas e reciclar energias. E foi, como sempre tem sido comigo nessas situações, uma experiência de grande prazer. Pode ser com platéia de estudantes ou com os diretores de grandes empresas nos MBA's do Coppead/UFRJ. Em todas essas situações eu sou a maior beneficiada. Sem proselitismo: quando você interage em um ambiente em que as pessoas estão ávidas por conhecimento, você é naturalmente impregnado pelo mesmo desejo e assim se alavanca, no meio do caos da agenda profissional do dia-a-dia, para um lugar mais criativo onde prevalece o desejo de continuar estudando e aprendendo.

Do encontro de ontem nasceu uma provocação que deu neste "Pronto Pensei" pois li um post elogioso que, no entanto, me pedia mais números e dados. Eu gostaria de explicar para algumas pessoas o meu jeito de lidar com palestras e painéis deste tipo. Eu raramente apresento grande volume de informações de mercado, análise de ferramentas ou disseco metodologias. Eu não considero isso conhecimento de primeiro nível embora goste muito de ver este tipo de palestra também e as considere muito importantes. Mas, para mim, elas "aparecem" depois. As ferramentas e metodologias são necessárias e nos ajudam a comunicar de maneira adequada no sentido do formato. No entanto, você não vai a lugar nenhum - e isso em qualquer situação da sua vida, incluindo a pessoal - se não entendeu o conceito do que está fazendo. Isto está na origem de tudo.

Então, para mim, o mais importante é provocar as pessoas para que elas reflitam sobre o ponto do conhecimento onde estão apoiadas hoje. É urgente e necessário - inclusive com o uso das ferramentas gratuitas que existem na internet -, que nos permitamos absorver conhecimento de "fundo". Ou seja, conhecimento teórico que nos dê base para análises maduras, abalizadas, fortalecidas por um conhecimento que vem sim da academia, dos estudiosos do passado e que ajuda a varrer o "achismo" do nosso mercado.

Um mercado tão novo como a da comunicação digital não pode se deixar levar pela ensandecida corrida do vale tudo. O conhecimento de bases teóricas de comunicação, marketing, antropologia, sociologia e tantas outras ciências que contribuem para o nosso pensamento, é necessidade prioritára de primeiro nível. Não se trata de imaginar que precisamos ser doutores nessas disciplinas (longe disso!). Trata-se de se imaginar um profissional de comunicação que tem a imensa responsabilidade de criar, todo dia, em cada post na sua rede social favorita, a verdaderia história da humanidade. A história que caminha paralela à história oficial. Se isso é verdade, não podemos olhar para nossa atividade com o viés da trivialidade (exceções consideradas - talvez - para as atividades de cunho mais pessoal). Por exemplo: se somos jornalistas - não interessa se com 20 anos de formação ou no segundo período da faculdade- é preciso que sejamos continuamente provocados por esse compromisso: construir nossa dignidade intectual porque ela é a base da nossa credibilidade. E credibilidade é a parte mais bonita do ser humano. É a parte intocável do profissional.

Esse é o motivo que sempre me leva a falar mais de conceito do que de métodos. Estes, são "commodities". Como gente de comunicação, temos que nos preocupar com a perenidade do que escrevemos nas redes. Afinal, como escrevi antes, criamos com nossos "posts" e comentários um cenário do nosso tempo, espelhando nossos desejos, nossas notícias, nossa realidade, nossos sentimentos pelos amigos, nossa ansiedade com os inimigos. Somos, enfim, os atuais contadores de histórias, porta-vozes de nós mesmos e, juntos, um mosaico de toda uma sociedade. Precisamos nos embuir da responsabilidade desse papel e ter consciência do impacto da perenidade do que produzimos nas redes sociais. Sempre pensei isto como jornalista e hoje, no mundo das "social machines", tenho ainda mais convicções sobre o tema. Ferramentas são meio. Conceitos nos dão diferenciação, integridade e responsabilidade com nosso tempo histórico.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Meu Fogão de Brancaleone

Eu aprendi a amar o Botafogo pela mística do clube. Como praticante - desde sempre - de esportes, era natural me apaixonar por um clube de futebol. Mas a “liga” só se deu mesmo quando eu vim para o Rio em 1993. Aí não teve jeito. A superstição da cultura botafoguense colou em mim, amazônica crente em boto e em saci-pererê. A imaginação fértil tinha tudo a ver com os rituais do clube. Daí foi saber a história de Garrincha, Jairzinho, Nilton Santos e Heleno para me apaixonar de vez. Foi quando eu verdadeiramente descobri que você troca de muito sentimento na vida: amores, amizades, empregos, interesses profissionais, enfim. Mas há algo que não muda: o seu clube de coração. Uma vez escolhido é pra sempre por mais que ele te arraste para a melancolia muitas vezes e em outras te plante alegria em proporções industriais ou, como é o caso do atual Botafogo, em gotas homeopáticas. Você conhece alguém que trocou de clube? Se conhece, mande prender ou exiba no circo. É um caso raro.

Muita gente fala que nós, botafoguenses, cabemos dentro de uma van. Outros dizem que cabemos dentro de um Tweet! Adoro isso. Sabe porque? Porque não me sinto multidão! Tenho uma certa “ágorafobia”. Nada grave...até porque vou ao Maraca sempre! Mas isso reforça a mágica de se saber torcendo para um time com características tão diferenciadas e que nem todos aderem... afinal, é fácil torcer pelo Flamengo e pelo Vasco. Eles são recordistas de títulos. Nós temos sempre uma saga mais dura. E, por contraponto, quanto mais dura a saga mais prazer haverá na alegria. Isso não é uma elegia ao melancólico e ao sofrimento. Ao contrário! Adoro celebrar e não tem nada mais importante do que saber fazê-lo. Como Botafoguense eu tenho e cultivo manias que populam a minha vida e me fazer me sentir melhor.


E, afinal, para atualizar o tema deste post, que coisa mais feliz do que eliminar o Flamengo, campeão brasileiro com suas estrelas internacionais, desta final da Taça Guanabara? Que tal fazer isso depois de 3 finais perdidas de campeonato para eles mesmos? Que tal fazer isso com um time que, de tão mambembe, parece saído da tela do filme “O Incrível Exército de Brancaleone” de Mario Monicelli?! Convenhamos, isto é um prazer que só os contrapontos são capazes de provocar. Gosto disso. Ainda que algumas vezes a espera seja longa! Arriba Fogón!