quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Solidariedade e Mobilização das Redes na Tragédia Serrana

Quando a água virou tragédia na Serra Carioca, solidariedade e compartilhamento de informações responderam como ajuda via redes sociais. No mundo real, só no Corpo de Bombeiros do Rio, até a noite do dia 25/01, foram entregues 334 toneladas de alimentos e produtos de higiene para as vítimas das chuvas. Já o volume virtual não foi menor. A hashtag #prayforbrazil - criada para apoiar e sinalizar comentários no Twitter sobre o tema - alcançou mais de 4,3 milhões de pessoas em 10 dias. Foram mais de 35 milhões mensagens. Um pico gigante, natural em momento de choque e espanto. Essa mobilização deixa agora uma grande questão que deve ser colocada: o quanto as redes sociais continuarão mobilizadas em torno desse tema e assim manter sua ajuda informativa e questionadora?

A informação tem um ciclo e ele naturalmente tem o pico e o vale de interesse por temas. Nas redes sociais acontece exatamente como na mídia clássica. Um exemplo é primeiro gráfico abaixo onde vemos o desempenho da hashtag #prayforbrazil. No dia, 14/01, seu dia mais intenso, chegou a 2.8 milhões. Alonga-se com menos intensidade até o dia 20/01 com boa mobilização, pois o impacto da tragédia – que gera o pico de interesse - já tinha passado. Depois despenca.

Quando focamos a estatística do Twitter em palavras mais específicas onde relacionamos o nome das cidades (ex: Teresópolis) com a palavra “chuvas” (acima), o alcance no microblog chega, no mesmo período citado, a 6,8 milhões de perfis individuais com 74 milhões de repetições. E, neste caso é bem claro um “assim no on, como no off”. O grande volume de informação que circulou no Twitter, neste caso, foi pela força que a mídia clássica tem em penetração nas redes sociais, especialmente na rede que analiso aqui. Destaques em números de exibições: @g1 (7.638.714) @portalr7 (3.836.207), @JornalOGlobo (1.984.703) e o @BlogdoNoblat (1.710.875). Na outra ponta, da participação cidadã, temos os perfis de celebridades, com destaque para @pecesiqueira (1.143.278) @HugoGloss (968.907), @astridfontenell (886.567) e @bgagliasso (835.986).


Entre os temas a doação de sangue é o que teve maior exposição até hoje no Twitter. Não foi à toa que vimos o HEMORIO pedir para as pessoas adiarem a doação porque teve um super estoque. A seguir vemos uma grande corrente de divulgação de endereços para que os internautas entendam como, onde e com o que podem ajudar. Isso sim, é serviço de alto nível e credibilidade na melhor performance do boca-a-boca.

O desafio de quem teve a vida tão brutalmente mexida nestes dias, na Região Serrana do Rio, não pode sequer ser medido. Meses e anos virão por aí até que as cidades sejam reconstruídas. E muitas famílias sequer poderão fazer isso. Neste momento em que o tema começa a se tornar, naturalmente, menos comentado nas redes sociais no Brasil, era bom que as ONG’s conectadas, as celebridades influentes e os órgãos oficiais que possuem trabalhos nas redes identificassem um modo de manter o interesse virtual ativo. A solidariedade precisa dessa mobilização permanente, pois o desafio é grande. E isso também é bom porque as pessoas poderão acompanhar e cobrar as implantações que todas as escalas de Governo prometeram e estão planejadas. Solidariedade pode, nesse caso, ajudar na transparência.

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